Setor público peca em eficiência
Rio de Janeiro- O aumento do Estado interfere no crescimento econômico de várias maneiras, reduzindo os investimentos, prejudicando a produtividade e ampliando a economia informal. Segundo Alexandre Marinis, autor do trabalho ''Brasil: Estado grande, crescimento pequeno'', uma das razões fundamentais pelas quais o inchaço do Estado resulta em menor crescimento é a de que o setor público é menos produtivo que o privado.
Ele observa que no setor público, ao contrário do privado, não há os incentivos do lucro e da concorrência, o desempenho e a remuneração não estão normalmente condicionados ao cumprimento de metas, a ausência do risco de demissão pode levar ao comodismo, a incorporação de avanços tecnológicos é mais lenta, decisões equivocadas demoram mais a ser corrigidas, e contratações, promoções e realocações são influenciadas por considerações políticas.
Outros fatores de restrição ao crescimento, quando o Estado incha, são o aumento da dívida pública, que tende a elevar o juro real, e da carga tributária. O diretor da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renato Fragelli, observa que, do crescimento de 45% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 1991 e 2006, 30 pontos porcentuais foram absorvidos pelo aumento da carga tributária. ''Uma parcela de 67% do aumento da produção foi entregue ao Estado'', diz ele.
Samuel Pessôa, professor da EPGE, nota que o aumento da carga tributária desestimula os investimentos, especialmente com impostos distorcivos como os brasileiros, e aumenta a informalidade, que é um setor da economia de menor produtividade. (F.D.)





