Más notícias para os trabalhadores na indústria de transformação, que já vêm perdendo postos de trabalho de maneira significativa desde o início dos anos 90: empresas responsáveis por 35% da mão-de-obra do setor pretendem fazer demissões neste primeiro trimestre. Apenas 6% têm a intenção de contratar gente, o que dá um saldo negativo de 29%. Estes dados foram apurados pela 126ª Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O chefe do Centro de Estudos Tendenciais da FGV, Éden Gonçalves Oliveira, disse que nos três primeiros meses do ano a produção industrial pode ter uma queda de até 2% em relação à verificada no mesmo período do ano passado. Nada menos do que 31% da indústria de transformação espera uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) Industrial no primeiro trimestre, ao passo que 22% contam com crescimento e 47% apostam em estabilidade.
Sinteticamente, o quadro desenhado pela sondagem - uma das mais tradicionais investigações empresariais do País - é preocupante, pois mostra que a demanda por produtos industriais está debilitada; as exportações crescem de maneira apenas moderada; os estoques estão aumentando; o emprego vem em queda; diminui a utilização da capacidade instalada; os negócios mostram-se enfraquecidos; e a indústria perde dinamismo.
A sondagem verificou os dados observados no quarto trimestre de 97 por 1.361 empresas industriais que faturaram R$ 112 bilhões no ano passado e empregaram 783 mil pessoas. Também levantou, no mesmo universo, a situação efetiva em janeiro e as expectativas relativas ao primeiro trimestre de 98.
De acordo com a pesquisa, no 4º trimestre 35% da indústria de transformação acusaram queda na demanda por seus produtos, enquanto que 34% detectaram aumento e 31% uma situação estável. Isso resultou em um saldo negativo de 1% (avaliação positiva menos avaliação negativa), muito inferior à média histórica, que é a de um saldo positivo de 21%. Ou seja, há sempre muito mais empresas registrando aumento de demanda do que queda - o que, desta vez, não ocorreu.
Pior: em janeiro 32% da indústria considerou a demanda fraca, um porcentual expressivamente superior ao apontado em janeiro de 97 (17%). A situação parece estar sendo particularmente difícil para o setor de bens de consumo final, que passou de uma verificação de demanda fraca por 10% das empresas desta área em janeiro de 97 para idêntica avaliação por parte de 49% em janeiro de 98.
Para agravar, o primeiro trimestre, na expectativa dos industriais, deixará muito a desejar. Apenas 16% acham que a demanda por seus produtos aumentará. Tal como no quarto trimestre, 35% acreditam que vai piorar e 49% acreditam que ela ficará igual.

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