Curitiba - A criação de linhas de créditos, com taxas de juros baixos e menos burocracia, que estimulem o desenvolvimento econômico nacional e estadual, foi discutida ontem em Curitiba, durante o Seminário Mecanismos Inovadores de Alavancagem Financeira para o Desenvolvimento Industrial do Paraná, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Para o secretário de desenvolvimento do Instituto Paraná Desenvolvimento (IPD), Carlos Alberto del Claro Gloger, um dos pontos fundamentais para alavancar a economia paranaense seria facilitar o acesso a linhas de crédito, principalmente, para as pequenas e médias empresas, em maior número no Estado. Para ele, as cooperativas de créditos e o mercado de capitais também deveriam ser alvo de debates, para futuras reestruturações.
Para o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, que esteve ontem pela manhã em Brasília, junto com o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures para o anúncio do pacote de incentivo nacional, as discussões do seminário serão fundamentais para a criação de produtos financeiros voltados à demanda do setor produtivo. Segundo ele, o BNDES tem capital para gerar desenvolvimento e deve facilitar o acesso ao crédito para que o setor produtivo faça novos investimentos. Este ano, o banco prevê o desembolso de R$ 47,3 bilhões, 43% a mais do que no ano passado. Para o Paraná, o desembolso previsto pelo vice-presidente do BNDES, Dark Antônio Costa, que participou ontem pela manhã do seminário, é de cerca de R$ 5 bilhões.
Segundo Costa, um dos setores a serem priorizados na contemplação das linhas de crédito é o industrial. Os setores agrícola e de infra-estrutura também devem receber atenção especial. ''Queremos, na verdade, e estaremos dispostos a atender todas as empresas que apresentem boas propostas, de todos os setores'', avaliou Costa. Uma das prioridades do BNDES é baixar a taxa de juros de longo prazo para atrair novos investimentos. ''O empreendedor investe porque tem mais crédito. E, juros mais baixos, vão significar maior potencial de crédito. Queremos baixar ainda mais dos 9,75% fixados atualmente, que já estão baixos.''
O diretor da Associação Brasileira de Capital de Risco (ABCR), Robert E. Binder, explica que, a medida que o risco Brasil foi aumentando, o volume de operações caiu. Em 2000, foi cerca de US$ 1,5 bilhão em aplicações registradas no País, US$ 900 milhões em 2001, US$ 323 milhões em 2002, e, US$ 450 milhões no ano passado, quando o volume voltou a crescer. ''Agora, a perspectiva é positiva para este ano. Estamos mais animados. Esperamos um aumento no volume de aplicações em 2004, que pode ser de 20% a 30%'', estimou.
Segundo Binder, a tendência, em momentos de crise, é que o investidor procure empresas melhores estabelecidas, geralmente as de grande porte. Mas, com a melhora na economia nacional e a maturação da indústria, a tendência é que os investidores procurem também as pequenas e médias empresas, que acabam ganhando muito com a ''parceria''. Segundo ele, em 2003, dos cerca de US$ 450 milhões de investimentos, aproximadamente 8% foram em empresas iniciantes. O número, segundo o executivo, é representativo. Para Binder, as empresas familiares, que ocupam um alto percentual no mercado paranaense, podem representar, no entanto, um problema para o desenvolvimento econômico no Estado. ''É que a maioria delas está receosa quando o assunto é investimento. Elas são mais inseguras e menos ousadas. Não querem partilhar'', explica.

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