A cadeia produtiva do milho reagiu com indignação à declaração do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que levantou ontem a possibilidade de confiscar os estoques privados do grão para coibir a especulação. Nelson Kowalski, presidente da Associação Brasileira da Indústria Moageira de Milho (Abimilho), disse que essa posição é absurda. ''É totalmente contra o mercado'', criticou. ''Quem segurou deveria ser homenageado, pois manteve o produto no País'', acrescentou.
Adão de Pauli, produtor em Londrina, considerou a afirmação do ministro ''um desrespeito''. ''Quando o milho estava a R$ 8, o governo não aumentou o preço. Também não ofereceu garantias quando a cotação estava abaixo do preço mínimo'', disse. Ele tem 30% do milho da última safra estocado e vai segurar por mais um tempo. ''Não me interessei pelos leilões da Conab''.
Para o produtor, a escassez de milho foi causada pelo próprio governo federal, que desmotivou o plantio. ''Se houvesse garantia de preço, todo mundo plantaria'', afirmou.
A Ocepar não quis se manifestar sobre a afirmação do ministro. O gerente técnico Nelson Costa informou que a organização promoverá uma reunião na sexta-feira para discutir alterantivas de abastecimento até a entrada da safra.

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