Os empresários brasileiros querem ter participação ativa nas negociações comerciais internacionais. Para cobrar isso do governo, a coalizão empresarial, que representa as confederações e associações setoriais do País, entregou ontem ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, e ao chefe do Departamento de Integração do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, uma proposta de inclusão dos empresários nas negociações e um estudo com informações técnicas sobre os possíveis impactos da liberalização comercial na economia.
Inicialmente foram selecionados cinco setores exportadores: bens de capital, papel e celulose, químico, suco de frutas e têxtil, para testar a metodologia do levantamento, que também pretende identificar o potencial de importação e exportação, investimentos e a agenda negociadora de cada setor, de acordo com o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira. ‘‘Chegou o momento de contribuir para a formulação das estratégias brasileiras’’, disse Moreira Ferreira.
Com relação à participação, os empresários querem estar presentes em processos como negociações no Mercosul, na Organização Mundial do Comércio (OMC), a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e outras associações comerciais.
Para isso, cobram mais informações sobre as negociações por parte do governo, querem ser consultados a respeito de estratégias, resposta do governo para as propostas apresentadas pelos setores, informações sobre a evolução das negociações após cada rodada e a presença de observadores empresariais durante as reuniões. ‘‘Muitas vezes recebemos cópias de documentos de empresários argentinos, uruguaios e até dos Estados Unidos antes de sermos informados pelas autoridades brasileiras’’, disse o presidente do Conselho de Integração Internacional da CNI, Osvaldo Moreira Douat.
O ministro Tápias ficou de analisar o estudo e as propostas, mas afirmou ser a favor de um maior engajamento dos empresários nas negociações. ‘‘É muito importante a participação da indústria e de todos os setores’’, disse. Para ele, o setor privado precisa estar bem informado sobre as negociações internacionais para que possa colaborar com o governo fornecendo subsídios técnicos.’’ Na avaliação de Graça Lima, os empresários reúnem todas as condições para participar das negociações e ajudar o governo com informações. ‘‘Afinal, as negociações são feitas para o setor privado’’, avaliou.

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