Roberto Castro/Agência EstadoSolenidadeO deputado Carlos Nelis, presidente da Funcafé; o senador José Eduardo de Andrade Vieira; o ministro Dornelles, e o deputado Silas Brasileiro, relator da comissão Funcafé, na instalação do Conselho Deliberativo, ontem em Brasília BRASÍLIA - O ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, deu posse ontem ao Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), o primeiro órgão de coordenação da política cafeeira no Brasil desde a extinção do Instituto Brasileiro do Café (IBC), em 1990. Dornelles afirmou que o objetivo do governo é ‘‘transferir para o setor privado o comando da política do caf钒. O CDPC é composto por membros de todos os segmentos da indústria cafeeira e do governo, mas o ex-ministro José Eduardo Andrade Vieira criticou a ausência de representantes dos trabalhadores e dos consumidores.
Uma das principais metas dos produtores é aumentar o consumo de café no Brasil de 11 milhões de sacas para 15 milhões até o ano 2000. O País é o segundo mercado consumidor do produto, atrás dos Estados Unidos, que consomem 18 milhões sacas. Os produtores também querem aumentar a produção nacional de café em 80% nos próximos dez anos, chegando aos 35 milhões de sacas. A safra de 97 deve ser de apenas 19 milhões de sacas, segundo o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes.


Governo reafirma
disposição de
‘‘privatizar’’
decisões sobre café


O ministro Dornelles afirmou que o setor cafeeiro é prioritário para o Brasil. ‘‘A produção mundial é de 72 milhões de sacas, está caminhando para 82 milhões, e o País precisa manter sua participação como maior produtor’’, afirmou. Dornelles lançou também um desafio à indústria de café solúvel. Quer que as exportações subam de 2,5 milhões de sacas anuais para 3 milhões, e que a receita do setor com as vendas externas passem de US$ 400 milhões para US$ 500 milhões.
Dornelles afirmou que as decisões do CDPC serão tomadas por consenso, não pela maioria de votos. O CDPC tem atribuições de aprovar os planos de safra, autorizar pesquisas do setor, aprovar o orçamento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), regulamentar o equilíbrio entre oferta e demanda do produto, estabelecer cooperação técnica com organismos internacionais e aprovar políticas de estocagem. A primeira reunião do CDPC será em 3 de fevereiro, no Espírito Santo.

mockup