Setor privado cria novo programa
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quarta-feira, 15 de julho de 1998
Agência Estado 
Preocupados ainda com o Custo Brasil e com a perda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), devido à excessiva dependência econômica do transporte rodoviário, empresários ligados ao setor de comércio exterior lançaram ontem em São Paulo a Mesa de Integração Logística do Mercosul-São Paulo. Essas mesas de integração, já presentes nas principais cidades portuárias brasileiras e no Interior, são fóruns organizados pelo Consórcio do Corredor Atlântico do Mercosul (CCAM) para criar redes de transporte intermodal entre os quatro países que fazem parte do principal mercado regional da América Latina.
O objetivo dessas mesas, que já são 12 no Brasil e na Argentina, é baixar o custo do transporte na região, integrando as linhas costeiras do Atântico com o transporte terrestre, disse o presidente da CCAM, Paulo Augusto Vivacqua. De acordo com ele, que foi superintendente da Companhia Vale do Rio Doce e um dos principais responsáveis pela construção de Carajás, o custo dos fretes de transporte provocam atualmente um freio de pelo menos 0,5% do PIB no crescimento econômico do País.
Vivacqua acredita que, com iniciativas semelhantes, é possível reduzir em muito os custos dos fretes de transporte de mercadorias entre os países do Mercosul, possibilitando ainda uma maior competitividade dos produtos brasileiros. Segundo Vivacqua, os atuais fretes de transporte de mercadorias criaram uma forte distorção no comércio exterior do Mercosul. Dados do Banco Mundial (Bird) mostram que as reformas protuária e tributária, por exemplo, permitiriam uma queda de 15% nos custos de exportação dos produtos brasileiros.
A idéia das mesas de integração é ainda fazer com que os portos retomem seu principal papel, o de estimular negócios, e acabar com o atual papel de parqueio de navios em que se transformaram, disse Vivacqua. Ele explicou, por exemplo, que o frete do transporte rodoviário da tonelada de arroz entre Bahia Blanca, na Argentina, e Belo Horizonte custa US$ 160, e da tonelada de frutas entre Mendoza e Recife não sai por menos de US$ 400. Com a intermodalidade, integrando as linhas costeiras do Atlântico e o transporte terrestre, é possível reduzir esse custo pelo menos à metade, afirmou Vivacqua.
Em agosto a CCAM deve lançar ainda essas mesas de integração em Buenos Aires e Brasília. A meta é criar pelo menos 30 no Mercosul. Entre as quase 250 empresas que já usam a logística e os serviços dessas mesas - excluindo as de São Paulo e do Rio de Janeiro - estão a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Vale do Rio Doce, Usiminas, Cotia Trading, Samarco e Andrade Gutierrez, entre outras.
Vivacqua informou que as mesas serão todas interligadas e que as empresas, principalmente as pequenas e médias, terão acesso a um vasto banco de dados retratando a economia da região. O projeto é inédito, já que outras regiões do mundo resolveram o problema de transporte há muito tempo. Vivacqua acredita que, até o ano 2000 o Brasil poderá dobrar as suas exportações.


