Setor precisa elevar escala de produção
O Paraná não perdeu capacidade de moagem com a Lei Kandir. Mas o fato é que muitas indústrias fecharam suas unidades ou se mudaram para outros estados, para fugir da ociosidade. Quem ficou no setor, tem investido em escala de produção, única alternativa para se manter viável no mercado, disse o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Roessing, pesquisador de economia rural da Embrapa-Soja, de Londrina.
A necessidade de trabalhar com escala de produção foi a grande responsável pelo fechamento de indústrias que operavam com capacidade de 600 a 800 toneladas por dia, nas décadas de 70 e 80. Os novos investimentos em moagem de soja estão sendo dimensionados para processar entre 3 mil e 4 mil toneladas por dia. As indústrias já existentes, com capacidade abaixo de 2 mil toneladas se tornaram inviáveis, destacou o pesquisador.
Na região de Ponta Grossa, que concentra o maior parque moageiro do País, das seis indústrias que se instalaram há 25 anos, permanecem cinco. Mas muitas desativaram as operações de moagem e se concentraram nas operações de exportação. As empresas em operação destinam a produção para o mercado interno, onde podem descontar os créditos pagos na origem e, com isso, escapam da operação de ressarcimento de créditos.
Além disso, as indústrias de soja redirecionaram suas operações para atender o mercado internacional, cuja demanda prioriza a compra do grão. Só entre janeiro e abril deste ano, a China comprou US$ 335 milhões entre grão e óleo, sendo US$ 300 milhões só de grão. Em 2002, dos US$ 6 bilhões que o Brasil arrecadou com a exportação do complexo soja, quase US$ 1 bilhão foi em vendas feitas para a China, que prioriza a compra do grão.





