Setor precisa de nova mentalidade
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terça-feira, 31 de dezembro de 1996
Agência Estado 
ARAÇATUBA - O pecuarista em 97 deixa de criar gado e passa a produzir carne. Essa deve ser a principal mudança na mentalidade, necessária para que o frango não engula o boi com chifre e tudo. A observação é feita por Sérgio Gotardi Paoliello, diretor do Sindicato Rural da Alta Noroeste. Ele acha que a única saída será reduzir os custos de produção, priorizar a qualidade da carne e esquecer as grandes oscilações de preços que deixaram muitos fazendeiros milionários no passado de inflações. A variação entre o maior e menor preço do ano foi de R$ 4,00 por arroba, ou apenas 20%.
O economista rural Arnaldo Zancaner disse que 96 foi um ano de preços altos na pecuária de corte, mas com lucros reduzidos e até nulos em algumas épocas do ano. Segundo ele, havia uma expectativa exagerada de preços. O ano começou com R$ 21,50 a arroba e o maior valor do ano foi de R$ 26,00 no mês de outubro. Os especuladores das bolsas futuras esperavam o mínimo de R$ 10,00 a mais pela arroba.
O frango agiu como produto de equilíbrio no preço da carne. Essa é a observação de Zancaner, que não acredita em melhores preços a não ser conquistando o mercado externo. Alguns empresários apontam a Ásia como principal continente interessado pelo gado jovem do Brasil. Mas o custo da matança dos bezerros é muito alto e por enquanto inviabiliza a garantia de cotas fixas de entrega o ano todo. Em Andradina, o pecuarista Edgar Toledo Piza, que também é economista e administrador de empresas, bateu recorde quando levou para o abate no início de dezembro, um lote de bezerros recém desmamados, com 10 meses de idade e que pesaram mais de 11 arrobas. O lucro do pecuarista, que também é produtor de leite, foi de 150% acima dos valores pagos por bezerros desmamados em leilões.
O novo conceito de criação com qualidade e que atinge todos os setores da economia nacional, alterou o comportamento dos negócios na principal praça do País, a de Araçatuba. Importante hoje, são apenas os fazendeiros que moram na cidade e possuem terras cheias de gado pelo País inteiro. O gado mesmo está indo embora para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Para lá também estão indo os frigoríficos e indústrias.
Antônio Joaquim de Moura Andrade, o Rei do Gado das histórias do Interior Paulista, fundou Andradina na década de 30 quando também instalou um frigorífico na cidade. Esse ano o grupo Sadia, que havia adquirido a unidade há quatro anos, desativou o abatedouro e transferiu todas as atividades para Cuiabá (MT), onde segundo os diretores, tem mais gado disponível para abate e a preços menores.
A região de Araçatuba já teve mais de 5 milhões de cabeças de gado em seus 2,3 milhões de hectares. Hoje são menos de 1,1 milhão, segundo levantamentos da Secretaria da Agricultura. Grande parte das terras foram tomadas por lavouras de cana de açúcar. Os fazendeiros utilizaram essa cultura para combater as invasões de terra do MST.


