Setor petroquímico se prepara para mudanças no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de setembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
Agora que o descruzamento acionário do setor siderúrgico se aproxima do fim, está chegando a vez da reestruturação da indústria petroquímica. Há um consenso entre os principais participantes deste mercado de que o País precisa de empresas maiores e mais fortes para crescer e que o melhor formato para se conseguir isso seria a criação de três pólos petroquímicos: um no Sudeste, um no Sul e outro no Nordeste. O problema é que na prática os empresários brasileiros têm medo de trocar o controle de negócios menores por uma participação menor em uma negócio maior, comentou uma fonte do governo ligada à reestruturação do setor.
Numa área repleta de participações cruzadas, onde quase todas as empresas têm, em alguma medida, um pedaço de sua concorrente, os movimentos acontecem lentamente. Nossa empresa apóia a disposição coletiva de reestruturação, mas está satisfeita com os seus ativos e aguarda novos movimentos no mercado, diz o diretor-executivo da Companhia Suzano, Adhemar Magon. O grande nó a ser desfeito são as participações cruzadas, mas a Petroquisa (controlada pela Petrobrás) está em uma situação confortável e está estudando suas ações, diz o presidente da estatal, Carlos Alberto de Meira Fontes.
O fato mais esperado na reestrutração é o leilão das participações do bloco de Controle da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), equivalente a 54% do capital total da empresa. A parte da Copene à venda pertence aos grupos Odebrecht, Mariani e Econômico, este último sob intervenção do Banco Central.
Há comentários no mercado de que este leilão vai acontecer ainda este ano, mas não há confirmação oficial, observa o analista do setor Pedro Martins Junior, vice-presidente do Chase Manhattan.
O Grupo Ultra é uma das principais empresas interessadas no leilão e já tem o apoio financeiro declarado do BNDES. Se for bem sucedida, a empresa, que já participa indiretamente da Copene por meio de sua controlada Oxiteno, pode se tornar uma das principais empresas do Pólo Nordeste.
Na divisão do bolo da petroquímica caberia à Odebrecht uma posição preponderante no Pólo Petroquímico do Sul. A empresa já participa da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) por meio de suas controladas OPP Polietilenos e OPP Petroquímica.
Por enquanto, as movimentações mais intensas ocorrem no Sudeste. O lançamento das obras do Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro, no início da semana passada, abriu espaço para que se iniciem as negociações em torno da fusão do complexo fluminense com a Petroquímica União (PQU), de São Paulo.


