Setor pesqueiro quer verba para importação
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Patrícia Campos Mello<br> Agência Estado 
São Paulo Empresários do setor de pesca vão se reunir na próxima terça-feira, em Brasília, com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Secretaria da Pesca para pedir financiamento para importação de barcos. Na reunião, serão discutidas as regras de utilização da verba de R$ 1,5 bilhão que o governo vai liberar para o financiamento de embarcações para pesca oceânica, conforme anunciou no pacote de incentivo à indústria pesqueira, no mês passado.
A proposta do governo é oferecer crédito para que empresários comprem barcos produzidos em estaleiros brasileiros. ''Mas precisamos começar importando algumas embarcações, senão vai demorar mais de três anos até o primeiro barco estar pronto, na água, e o pacote fazer algum efeito'', argumenta José Eduardo Simão, presidente do Conselho Nacional da Pesca e Aquicultura.
Simão calcula que um financiamento de cerca de US$ 60 milhões seria suficiente para a importação dos primeiros barcos. Os restantes seriam produzidos por estaleiros nacionais, a partir do modelo dos estrangeiros. ''Um barco demora um ano e meio só para ser construído, sem contar o tempo que leva o projeto.'' Segundo Simão, há uma oferta imensa de barcos estrangeiros, porque muitos países estão reduzindo sua frota por motivos ambientais. ''Há vários barcos modernos à venda por preços muito baixos'', diz Simão. ''O que custa R$ 100 para fazer aqui, sai por R$ 40 lá fora.''
Mas integrantes do governo resistem à idéia de financiar importações, tendo em vista o esforço para atingir saldos comerciais crescentes. Segundo Simão, a importação dessa primeira leva de barcos pode reverter a balança comercial de atum, por exemplo. Segundo acordos ambientais internacionais, o Brasil está autorizado a capturar 100 mil toneladas anuais de atum Skipjack e Yellowfin, mas só pesca 25 mil toneladas.
De acordo com Simão, a pesca só não é maior por falta de frota adequada. ''Com mais barcos, poderíamos pescar as 75 mil toneladas adicionais, que criariam 25 mil novos empregos e gerariam US$ 120 milhões em excedentes exportáveis'', afirma. Hoje, o Brasil produz 900 mil toneladas de peixe por ano, sendo 250 mil toneladas cultivadas. A meta do governo é chegar a 2006 com 1,5 milhão de toneladas, das quais 750 mil toneladas cultivadas.


