A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) enviou na segunda-feira ao governo federal as demandas do setor agropecuário para a próxima safra, que focam a manutenção das taxas de juros para custeio, investimento e comercialização e a elevação média de 15% nos recursos disponibilizados para os produtores rurais.
Encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Plano Agrícola e Pecuário e Plano Safra (PAP) 2015/16 foi produzido em conjunto com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) e com apoio dos sindicatos rurais.
Na safra 2014/2015, foram disponibilizados R$ 180 bilhões em recursos para a agricultura comercial e familiar e as entidades pedem R$ 207 bilhões para a próxima colheita, alta de 15%. A justificativa é o aumento dos custos da atividade, como elevação de juros livres, da tarifa de energia elétrica e dos preços de combustíveis e de insumos.
Mesmo com o cenário econômico adverso, líderes das entidades afirmam que não há como manter a área plantada sem o incremento financeiro. Economista da Faep, Pedro Loyola diz que houve 12% de alta na demanda por crédito já na safra passada. "É o primeiro ano em que temos essa preocupação nos últimos cinco ou seis anos", conta.
Com os seguidos reajustes da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 12,25%, Loyola conta que há o risco de alta dos juros, já subsidiados em até 6,5%. "O produtor concorre no mercado externo com países que têm taxas em patamares bem mais baixos, como Canadá", cita.
Gerente técnico da Ocepar, Flávio Turra diz que houve excelentes planos agrícolas em alguns anos, como quando foram criados o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro) e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA). "O governo atendeu as demandas mesmo que tardiamente e, se estamos em um cenário adverso, seria o caso de investir no agronegócio para reverter isso, porque é um dos setores que podem dar retorno mais rapidamente", afirma.
Turra lembra que, da mesma forma, o setor se abate facilmente. "Se elevar os juros demais e cortar a oferta de crédito, o produtor desanima, diminui a área plantada pela falta de recursos e há queda na renda e na geração de empregos, além de alta na inflação pela oferta menor de produtos", diz. Ele completa que o agronegócio tem efeito multiplicador na economia.

Preço mínimo
A soja é o carro-chefe da produção estadual, mas, mesmo assim, é uma cultura que "demanda muito crédito", diz Loyola. Ele cita outras como as mais prejudicadas, como a sucroalcooleira, e pede a redução dos juros e aumento do capital máximo disponível para usinas e agricultores.
Ainda, as demandas incluem aumento do preço mínimo para o milho, de R$ 17,67 para R$ 23, para o feijão de cor, de R$ 95 para R$ 105, e para o trigo tipo 1 da classe pão, de R$ 33,45 para R$ 39,92. "O reajuste é necessário porque esse é o custo de produção", diz o economista da Faep.

Seguro
Talvez a proposta mais difícil de ser atendida seja a garantia de R$1,2 bilhão para o Programa Seguro Rural (PSR), dos quais R$ 300 milhões devem ser para pagamentos retroativos a apólices da safra anterior. O governo federal adiou o pagamento do valor até o fim do ano passado, o que impediu que as seguradoras recebessem a subvenção e colocou o benefício em xeque para a próxima colheita. "É possível cancelar as apólices e emiti-las de novo neste ano, mas depende de lei, de autorização do governo. A ministra (da Agricultura, Kátia Abreu) indicou ao setor que isso poderia ser feito, mas não foi à frente ainda", conta Loyola.
Turra diz que o governo pediu as sugestões das entidades paranaenses e que há tempo para negociar até maio, quando deve ser anunciado o Plano Safra. "Há possibilidade de atender os nossos pleitos, porque não têm nada de exagerado."

Imagem ilustrativa da imagem Setor pede mais recursos e juros baixos no Plano Safra
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