A conjuntura econômica deve levar o setor moveleiro a buscar mais eficiência. A desvalorização do dólar frente ao real, a forte concorrência no mercado internacional e a falta de uma política pública de incentivo às exportações praticamente obrigam as indústrias a rever o seu posicionamento no mercado. Os números oficiais mostram que o segmento precisa traçar novas estratégias para tentar reverter o recuo apresentado pelas indústrias moveleiras. Nos cinco primeiros meses do ano, as exportações de mobiliário caíram 11,5% com relação ao mesmo período de 2005.
No entanto, as indústrias paranaenses apresentaram um crescimento de 10%. O índice é resultado da abertura de novos mercados na América Latina, Oriente Médio e África e da produção de móveis de chapa de madeira. Em geral, o setor fechou o ano passado com um crescimento das vendas externas de 5,3%, um porcentual considerado insignificante pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), uma vez que em 2004 as indústrias apresentaram um aumento de 42%. ''Em três anos o setor conseguiu dobrar as exportações'', afirma. No mercado interno, a realidade é ainda pior. Em 2005, o segmento apresentou recuo de 4%.
A conjuntura atual e as perspectivas do mercado serão discutidas hoje durante o 1º Congresso Nacional Moveleiro, evento realizado paralelamente à Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira (Fiq 2006). O evento teve início ontem e prossegue até sexta-feira (leia reportagem ao lado). Também durante a feira será apresentada uma pesquisa, realizada no final do ano passado, de título ''Panorama do setor moveleiro brasileiro: de onde viemos e a conjuntura atual''. Foram ouvidas mais de 500 empresas de 15 pólos produtores de todo o País e de outras regiões.
''Acredito que os empresários devam rever seus conceitos e o seu posicionamento no mercado. Poucas indústrias têm uma marca forte e, por isso, as empresas devam repensar seus negócios, com ações de marketing e comerciais mais agressivas'', salienta o economista Marcelo Prado, consultor e especialista em marketing industrial do Instituto de Estudos de Marketing Industrial (Iemi), empresa que realizou a pesquisa e tem sede em São Paulo. Na opinião do presidente da Abimóvel, Domingos Rigoni, falta uma política pública de incentivo às exportações.
''O governo não se preocupa com o setor produtivo. As indústrias estão buscando mais eficiência, mas precisamos de tecnologia de primeiro mundo, só que para isso temos uma carga tributária que pode atingir os 39%, não temos bons financiamentos e ainda temos que oferecer garantias absurdas. As indústrias estão melhorando, temos boas matérias-primas, mas falta tecnologia e políticas adequadas'', afirma Rigoni. A China, hoje, aparece como o principal pólo produtor mundial com a utilização de tecnologia de ponta, máquinas modernas e eficientes e produção em massa.
Pesquisa - A pesquisa apurou que o Brasil produz cerca de 309 milhões de peças de mobiliário por ano, fabricadas por 14,4 mil indústrias instaladas em território nacional. O setor gera 228 mil empregos formais e investe R$ 330 milhões por ano. A produção nacional é fragmentada, concentrada em empresas de pequeno porte, com menos de dez funcionários. O estudo mostra ainda que 64,6% das empresas tem faturamento de até R$ 120 mil e 83% têm sua produção concentrada em móveis de madeira, principalmente de peças para dormitório.

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