Setor moveleiro aponta alta de custo
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quarta-feira, 11 de outubro de 2000
De Londrina 
O setor moveleiro enfrenta nova alta no preço da chapa de aglomerado, matéria-prima usada na fabricação de móveis. Alguns fornecedores do aglomerado cru já anunciam reajustes de 6% para outubro. A paranaense Berneck S/A, de Araucária, está aumentando o preço em torno de 5% a 6%. O motivo seria a alta no preço dos insumos, segundo o diretor geral da fábrica, Álvaro Rose.
A Satipel, de Uberaba (MG), está reajustando o preço do aglomerado entre 5% e 7%. O vice-presidente da empresa, Horácio de Mendonça Neto, aponta a mesma razão. Mendonça Neto explica que o custo da produção do aglomerado está muito atrelado aos preços dos insumos. Os principais são madeira e resina. A madeira é um bem escasso. Nos últimos 30 dias, a madeira vem numa escalada de preço superior a 30%, disse o empresário.
Os dois componentes da resina uréia e formol também sofreram reajustes. De acordo com Mendonça Neto, a uréia praticamente desapareceu do mercado internacional, principalmente por forte pressão da China, que está em crescimento acelerado.
O formol é feito de metanol, derivado do petróleo. Nem preciso dizer mais nada sobre isso porque todos sabem como está o preço do petróleo. O inverno nos Estados Unidos também influencia no preço do gás, por causa do aumento no consumo, complementa.
Álvaro de Rose, da Berneck, afirma que de janeiro a setembro o preço da resina subiu mais de 30%. De acordo com ele, nesse mesmo período o aglomerado teve reajustes que variaram de 15% a 20%, e agora terá mais 5%. O aglomerado não aumentou na mesma proporção. Horácio de Mendonça Neto, da Satipel, também ressalta que os fabricantes de matéria-prima não estão repassando a totalidade das altas dos custos para o preço do aglomerado.
O presidente da fábrica de móveis Albatroz, em Arapongas (PR), Alceu Paludeto, afirma que pode até entender o reajuste de outubro por causa da alta do metanol. O problema é que os fornecedores aumentaram o preço em 3% em julho e mais 3% em agosto.
A dificuldade, segundo Paludeto, é repassar a alta para o lojista. As vendas já não estão boas. Se subirmos o preço, vai ficar ainda pior, avalia. O aglomerado tem um peso significativo no custo do móvel, afirma.
Na fábrica Vamol, em Arapongas, o encarregado de compras Emerson Ribeiro diz que se o aglomerado subir mais uma vez vai se tornar uma matéria-prima inviável. Sempre trabalhamos com MDF. A partir de maio, optamos pelo aglomerado justamente por causa do custo, conta Ribeiro.
Segundo ele, em maio, o aglomerado custava em média 25% menos do que o MDF. Essa relação caiu agora para 14%. Ribeiro afirma que em julho e agosto o fornecedor da Vamol reajustou o preço em 12,7%. Agora espero que não venha mais nada, disse.
O Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (SIMA) já sente as reclamações dos fabricantes da região, o segundo maior pólo moveleiro do país. Segundo o secretário executivo do SIMA, José Roberto Pontalti, os constantes aumentos no preço da chapa de aglomerado estão dificultando principalmente aqueles fabricantes que já programaram vendas, sem contar com mais esta alta. Muitos já tinham vendido para o final do ano, sem reajustar o preço, diz.
Os índices de inflação mostram que a indústria de modo geral está absorvendo reajustes de preços, que não estão se refletindo no preço final, para o consumidor. O Índice Geral de Preços (IGP), da Fundação Getúlio Vargas, que mede preço de atacado, foi de 8,9% de janeiro a agosto. O índice de setembro ainda não foi divulgado. O IGP do consumidor, da FGV, foi de 5,07%, no mesmo período.


