A situação dos 7 mil trabalhadores da indústria metalúrgica e mecânica de Londrina e região é de tensão. Na tarde de ontem, o Sindicato Patronal das Indústrias Metalúrgicas e de Materiais Elétricos anunciou uma nova medida contra a crise que vem gerando polêmica. Para evitar as demissões em massa, os empresários propõem a redução de 20% da jornada de trabalho mensal com respectivos reflexos nos salários do setor. O sindicato que defende a classe trabalhista é contra, porque não há garantias de estabilidade.
Segundo Marcus Vinícius Gimenes, proprietário de uma indústria de peças para tratores e caminhões, está difícil adequar a mão-de-obra à programação de pedidos. Segundo ele, mesmo com o crescimento de 25% que prevaleceu até outubro de 2008, o fervilhar da crise afetou seus negócios durante novembro/dezembro. ''Se eu comparar com o mesmo período de 2007, houve uma queda de 50% no número de pedidos. Houve um corte porque lá na ponta ninguém está vendendo e para isso temos que ajustar a produção à demanda'', argumenta.
A demanda de trabalho está 10% abaixo do normal, segundo o empresário, e os funcionários diretos da linha de produção estão ociosos. Como ele já recorreu às férias coletivas mais longas para segurar as demissões, agora a situação exige outras providências. Na área administrativa, é possível retardar por um período maior medidas drásticas como os cortes de pessoal. ''Mas se você observar, a mão-de-obra direta é um custo que não tem como manter sem pedidos'', alega Gimenes.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica de Londrina, Sebastião Raimundo da Silva, a redução salarial é polêmica. Os valores atuais de remuneração dos funcionários, segundo ele, já estão defasados. Outro motivo de preocupação para a categoria, como aponta, é que ''não há garantias de estabilidade durante os seis meses previstos''.
''Os empresários querem criar uma medida generalista, mas nós resistimos porque existem os que estão bem financeiramente e que vão se beneficiar com essa decisão'', contesta. A redução da taxa de juros no setor (Selic) implicaria num efeito direto nos preços praticados e seria uma possível solução cogitada pelos dois sindicatos.
Valter Orsi, presidente do Sindicato Patronal das Indústrias Metalúrgicas de Londrina, definiu como ''delicada'' a situação do setor. Os recordes negativos do período são preocupantes e não haveria outra possibilidade de evitar mais demissões. O Sindimetal congrega 770 empresas em 56 municípios. ''É a única alternativa que nos resta (a redução de jornada e salários) até um novo aquecimento do mercado'', defende.
A redução nas vendas do setor metal mecânico até agora, afirma Orsi, é de 40%. ''A demanda é fundamental para o funcionamento do setor industrial'', frisa. Existem cerca de 30 empresas ''em compasso de espera'' para aplicar a nova medida ou apelar para as rescisões. ''A economia é uma máquina. Se faltar lenha, ela para'', arremata.

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