Curitiba - A crise financeira deve promover mais demissões no Estado. A previsão é do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal). O setor deverá desligar 3,9 mil trabalhadores – 13,05% – até o final de dezembro, em Curitiba e Região Metropolitana.
  Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Sindimetal com 62 empresas, dos quais 91% informaram já terem demitido colaboradores nos últimos dois meses e que devem continuar com a ação caso não haja uma mudança significativa no mercado. O presidente do Sindimetal Roberto Karan prevê ainda um enxugamento de 20% nas folhas de pagamento até o início do ano que vem. ‘‘Os contratados nos últimos 18 meses, época de setor aquecido, serão os mais prejudicados porque os turnos abertos para atenderem a demanda estão sendo encerrados’’, opina.
  Em Curitiba, a Eletrolux, multinacional de eletrodométicos, demitiu nesta semana 50 funcionários. Ao mesmo tempo, a Volvo, montadora de automóveis, desligou 430 pessoas na Região Metropolitana. As revendedoras de carros estão, aos poucos, enxugando o quadro de funcionários. A onda de cortes é motivada pela crise, que provocou queda nas vendas de bens de consumo devido a falta de crédito e juros altos.
  Karan não esconde a preocupação com a volta das férias coletivas. ‘‘A indústria está esperando a reação do mercado em janeiro e fevereiro para saber qual rumo tomar. Se a economia não melhorar, novas demissões podem acontecer.’’ A indústria, segundo ele, vai tentar segurar ao máximo porque se o mercado estabilizar, pode faltar funcionários. ‘‘É mais barato manter o trabalhador parado do que demitir e na seqüência recontratar e investir em capacitação’’, observa Karan.
  A reportagem tentou contato telefônico com o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana mas não teve sucesso.

mockup