Curitiba - O setor madeireiro do Brasil espera aumentar em 6% o volume negociado no ano que vem. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), a comercialização deve atingir US$ 12,7 bilhões, estimulada principalmente pelas exportações. Mas o aumento do consumo interno também vai contribuir para isso, segundo debates realizados ontem, no último dia do 1º Congresso Internacional de Produtos de Madeira Sólida de Reflorestamento, realizado desde quarta-feira em Curitiba.
Segundo o presidente da Abimci, Odelir Battistella, o aumento esperado é superior ao do crescimento mundial do setor, de cerca de 3% ao ano. ''Devido às nossas condições de competitividade, vamos poder superar a média mundial'', relatou. ''O câmbio também está favorável, mas o setor está trabalhando há anos para crescer em produção'', afirmou.
A Abimci está liderando um plano de desenvolvimento do setor madeireiro. Segundo Battistella, a meta é atingir US$ 22 billhões negociados até 2008, um aumento de 100% em relação ao volume comercializado em 2001. Dados da Abimci mostram que países com áreas até 50% menores do que a do Brasil exportam bem mais. A Finlândia, por exemplo, atinge US$ 10 bilhões. O presidente da Abimci disse ainda que o setor tem a vantagem de não precisar importar praticamente nada. ''Assim temos um saldo líquido na balança comercial muito positivo para o País'', acrescentou.
Battistella disse que o setor pode se expandir mesmo com as projeções de falta de madeira para os próximos anos. ''Por um longo período houve excedente de matéria-prima, por causa de incentivos fiscais do governo federal, o que causou 'descasamento'. Agora estamos na situação inversa, mas como o preço da madeira subiu, vai haver interesse em plantar novamente'', observou. Mas ele ponderou que a situação é parecida com o apagão vivido pelo setor elétrico. ''É preciso planejamento. Não dá para construir uma Itaipu em um ano. No setor madeireiro é a mesma coisa'', acrescentou.

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