Agência Estado
Os investimentos no setor de petróleo, iniciados nos próximos cinco anos, devem chegar a US$ 32 bilhões, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria de Base (Abdib). A entidade tem entre as suas associadas as subsidiárias de todas as gigantes internacionais do petróleo e também a Petrobrás. Só a estatal pretende investir US$ 10 bilhões em 185 novas áreas nos próximos quatro anos.
O levantamento da Abdib foi feito com base nas áreas e projetos mapeados pela Petrobrás, e que agora estão entregues à Agência Nacional do Petróleo (ANP). A agência reguladora recém-instalada vai oferecer as áreas para exploração pela iniciativa privada, por meio de licitação pública.
Se a ANP concordar, a Petrobrás deve ficar com 11,6% das bacias sedimentares, que serão exploradas em regime de parceria com grupos privados. A estatal encaminhou informações à ANP para comprovar capacidade técnica e financeira para permanecer nas áreas que reivindica.
Alguns dos projetos de investimento incluídos no levantamento da Abdib podem estender-se por até 10 anos. Inicialmente, a maior parte dos recursos deve ser destinada às áreas de distribuição, refino e comercialização. Numa segunda etapa, o capital privado deverá voltar-se para as áreas de prospecção e exploração das reservas, segundo o diretor executivo da Abdib, Ralf Lima Terra. Cerca de 70% dos US$ 32 bilhões previstos serão investidos pela Petrobrás em colaboração com empresas que ela escolheu como parceiras.
As negociações para a montagem de projetos em parceria já vêm acontecendo nos últimos três anos, desde o início das discussões sobre o fim do monopólio estatal no setor do petróleo. ‘‘Em cinco anos, a participação do capital privado poderá aumentar para 50% em relação aos investimentos da empresa estatal’’, afirma Lima Terra.
As reservas brasileiras despertam interesse internacional pela sua proximidade com os centros de consumo e facilidades de transporte. ‘‘Não existe no globo terrestre nenhuma outra região que ofereça retorno tão grande para investimentos em petróleo como o Brasil’’, comenta o executivo da Abdib. Ele destaca o interesse das empresas também pelo gás natural, que está ganhando espaço na matriz energética graças à expansão das redes de distribuição e também à construção do gasoduto Brasil-Bolívia, previsto para ficar pronto no início de 99.
Enquanto o consumo de energia no País cresceu 7% no ano passado, duas vezes mais do que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo de gás cresceu 20%. ‘‘Os grupos nacionais e multinacionais darão preferência aos projetos em parceria com a Petrobrás, pois sabem que será difícil enfrentar a concorrência de uma empresa que ficou 45 anos com o monopólio do mercado’’, comenta Lima Terra.

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