Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou ontem estudo com estimativa de crescimento da economia para este ano ainda mais pessimista do que a do Banco Central. Segundo a CNI, o desempenho da economia em 2003 ''será sofrível'', com avanço do Produto Interno Bruto (PIB) inferior a 0,5%.
No relatório trimestral de inflação divulgado no começo da semana, o BC projetou o crescimento da economia em 0,6%. A CNI ressaltou, no entanto, que não espera retração do PIB (soma de todas as riquezas produzidas pelo País).
De acordo com o documento ''Informe Conjuntural'', a retomada do crescimento deve acontecer no fim do ano movida pelo ''crédito'' e pela ''evolução da demanda''.
A instituição ressaltou que a indústria tem sido o setor mais punido pelas altas taxas de juros e que deve apresentar queda no produto em relação ao ano anterior, só não ficando ''em situação pior'' devido à ''sustentação das exportações'' e ao ''desempenho do setor agropecuário''. O Banco Central calcula uma queda de 1,2% no PIB da indústria em 2003.
O emprego no setor industrial continua cadente e a ''reversão da trajetória atual de queda dificilmente será observada ainda em 2003'', calcula a confederação. A CNI afirma ainda que a geração de postos de trabalho continua sendo no setor informal, o que não compensa as perdas no crescimento provocadas pela redução do emprego nos setores formais da economia.
A CNI diz também que as recentes altas dos preços não comprometem a trajetória de queda da inflação. Em setembro, a inflação registrada em São Paulo foi de 0,84%, segundo cálculos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o maior índice desde fevereiro.
Na última segunda-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou alta média de 1,18% nos preços calculados pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) em setembro, aumento de 0,8 ponto percentual em relação a agosto.
Apesar das perspectivas negativas para 2003, os industriais acreditam, segundo o documento, que os dados referentes ao nível de atividade sugerem o fim da recessão e mostram ''sinais de recuperação'' da economia. ''A produção e as vendas industriais vêm se mantendo relativamente estáveis nos últimos meses e, provavelmente, voltarão a crescer no último trimestre do ano'', diz o documento.
A CNI diz ainda acreditar que a queda na taxa básica de juros vá se atenuar nos próximos meses, mas afirma que a ''taxa real de juros e os depósitos compulsórios (parcela de recursos que as instituições financeiras devem manter no BC) permanecem altos''.

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