Setor industrial está pessimista para 2006
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os empresários do setor industrial paranaense não estão otimistas para as vendas de 2006. Cautelosos, eles apontam a queda no valor financeiro das vendas feitas neste ano de -2,5% e temem que a política econômica brasileira continue desfavorável. As expectativas dos industriais paranaenses foram divulgadas ontem com a publicação da X Sondagem Industrial 2005/2006, elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Cerca de 12,05% dos líderes empresariais ouvidos na pesquisa não tiveram qualquer aumento de produtividade em 2005 pior índice registrado pela indústria desde 1996.
''Os empresários ainda são otimistas. Mas os acontecimentos ao longo deste ano no mundo político causam desânimo'', ponderou Arthur Carlos Pereira Neto, superintendente corporativo da Fiep. Já o coordenador do Departamento Econômico da entidade, Maurílio Schmit, acredita que os maiores entraves para que o empresariado estivesse otimista são taxa de juros altas, aperto de crédito, elevada carga tributária, encargos sociais sobre a folha de salários, burocracia e a taxa de câmbio que onera o setor exportador.
''Essa sondagem busca identificar com os empresários como estão os fatores externos ao de produção e o desempenho das ações industriais. A retração no otimismo para 2006 é exatamente porque temos algumas nuvens ainda no horizonte. Uma delas é a taxa de câmbio, que afeta principalmente o agronegócio paranaense'', analisou Schmit. Os empresários consideram que 2005 não foi um ano positivo para a indústria do ponto de vista financeiro. Entretanto, o ano que vem poderá surpreender por conta da Copa do Mundo e das eleições. ''As políticas são sempre mais expansionistas em momentos eleitorais. Os governos tendem a aumentar a felicidade nacional bruta para garantir a reeleição'', lembrou.
A infra-estrutura das rodovias, ferrovias e portos paranaenses também foi criticada pelo empresariado, que acredita que a malha viária está cada vez mais degradada. ''Como pensar em investir, se a infra-estrutura está cada vez pior, degradada'', salientou ele. Mesmo com as críticas ao atual modelo econômico, 71,31% dos empresários ainda acreditam que 2006 pode ser um ano favorável. Destes, 40,22% irão fazer novos investimentos; 37,64% querem aumentar as vendas; e 22,14% acreditam que poderão contratar novos funcionários. Para crescer, os empresários apostam na satisfação do cliente (65,29%), no desenvolvimento dos negócios (54,17%), na flexibilidade para incorporar novos produtos (33,89%), na pesquisa e desenvolvimento de novas linhas (33,61%) e no desenvolvimento dos funcionários (31,67%).
Entre os empresários que pretendem fazer investimentos em 2006, 82,22% vão aplicar recursos próprios; 33,33% querem utilizar as linhas de crédito governamentais; e 12,22% as linhas de crédito privadas.


