Curitiba - O setor imobiliário do Paraná pode ter sido beneficiado pela crise econômica mundial que eclodiu no final de 2008. Na avaliação do diretor de lançamentos e comercialização do Sindicato de Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Paulo Celles, a crise potencializou a migração dos recursos que antes eram direcionados para bolsas de valores, fundos de pensão e outras modalidades de investimento para os imóveis, que tem como atrativo a segurança e a rentabilidade a longo prazo.
Segundo simulação do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar) um apartamento de três quartos avaliado em R$ 100 mil no bairro Alto da Glória, em Curitiba, apresentou valorização de 81,4% entre 2007 e 2009, enquanto no mesmo período a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) proporcionou ganhos de 7,85% sobre a mesma quantia, a poupança 19,05% e o dólar 0,78%. Segundo ele, os responsáveis por esta situação seriam a estabilidade econômica, o aumento de renda da população, a crescente demanda por moradia e o volume de investimentos proporcionados pela oferta de crédito mais barato.
Os efeitos desta retomada já são evidentes nos números apresentados pelo Secovi. No que se refere à locação residencial, foi registrado um crescimento de 23,8% entre 2007 e os primeiros meses de 2009. O preço médio das locações valorizou 33,9% neste período.
Na opinião do empresário Sidney Axelrud, da Cibraco Imóveis, em relação a outros setores, o imobiliário foi o que menos sentiu os efeitos da crise. Ele reconhece que o segmento estacionou um pouco no final do ano passado, mas a retomada já é evidente. ''Claro que não na mesma intensidade'', aponta, mas já seria possível traçar um panorama positivo para os próximos meses. Os imóveis de baixa renda foram os que menos sofreram com a desaceleração do setor, favorecidos pelos programas federais que injetaram recursos. Outro ponto seria o perfil do empresariado paranaense, que sabe ''a hora de acelerar e a hora de pisar no freio''.
O diretor da regional do Secovi em Londrina, Nestor Correia, observa que é natural em períodos de crise que as pessoas migrem de investimentos mais arriscados para imóveis. ''O imóvel tem valor agregado por conta dos materiais embutidos na construção e é um investimento que nunca desvaloriza'', afirma o imobiliarista, destacando que em relação à segurança de se investir em imóvel não há questionamento.
Em Londrina, Correia frisa que desde o início da crise os imóveis sofreram uma valorização de 10%, em média, além do reajuste natural ocasionado pela inflação. Ele acrescentou ainda que o importante, na hora de adquirir um imóvel e não perder dinheiro, é saber qual o objetivo. ''Independente de ser imóvel comercial ou residencial, para morar ou alugar, tem que pensar e procurar um imóvel de boa qualidade'', conclui.
Já o seguimento da construção civil não sentiu esse reflexo positivo da crise. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do setor em Londrina, Osmar Alves, os lançamentos imobiliários, que antes da crise estavam em um ritmo acentuado, diminuíram consideravelmente. Alves pontua que os lançamentos que têm ocorrido já estavam previstos há alguns meses, que as vendas desses imóveis têm acontecido, mas em um ritmo menor.
Alves comenta que o programa do governo federal ''Minha Casa, minha vida'' tem ajudado ''um pouco'' o segmento da construção e tem movimentado, por exemplo, as vendas de terrenos menores. Mas, conforme ele, ainda não é o suficiente porque atinge poucas pessoas e uma classe específica. O presidente do Sinduscon ainda ressalta que parte dos poucos investimentos deve-se à redução na oferta de crédito pelos bancos, o que prejudica o setor.

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