São Paulo - O mercado imobiliário recebeu bem a decisão do governo, de não modificar, neste mandato, a forma de remuneração da caderneta de poupança. ''O bom senso retornou'', comemorou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Luís Roberto Andrade Ponte. ''Essas mudanças deveriam acontecer num momento mais tranquilo, com juros menores e SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário) operando'', ressaltou o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Romeu Chap Chap.
Com as mudanças, o risco era onerar os financiamentos imobiliários baseados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que consomem recursos da poupança e corrigem seus contratos pelos mesmos índices. Os contratos do SFH são corrigidos pela TR, mais 12% ao ano. Já a poupança remunera os investidores a TR mais 6% ao ano.
Para Ponte, da CBIC, o desejável é que o governo promova mudanças na direção contrária, isto é, incentivar a aplicação efetiva dos recursos em habitação. Há alguns anos, o BC permitiu que os bancos aplicassem parte dos recursos da poupança, a juros livres, em outros produtos, a fim de compensar as perdas com o Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS).
''Isso é uma imoralidade'', criticou Ponte. Por lei, pelo menos 65% dos recursos da poupança devem ser aplicados em habitação. Mas os bancos alegam que o rombo do FCVS inviabiliza essa medida.
O Banco Central informou que o assunto poderá ser retomado na próxima gestão. A possibilidade parece remota, segundo Ponte, porque os candidatos à Presidência já declararam seu compromisso em incentivar os investimentos no setor.

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