Quanto maior a temeridade em relação à situação política e econômica do País, maior é a procura por investimentos imobiliários: imóveis são aplicações seguras, especialmente em momentos de crise. A avaliação foi feita pelos imobiliaristas de Londrina, que participaram de um debate promovido pela Folha, no início do mês. ''Quem tem potencial não vai deixar de comprar, até para aproveitar as circunstâncias do mercado e a insegurança gerada pelo momento político'', analisou o imobiliarista Romeu Curi.
O evento também contou com a participação dos imobiliaristas Raul Fulgêncio, Antônio Euclides Sapia Júnior, José Luis Schietti, do representante do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Londrina (Creci), Marco Antônio Bacarin, do delegado regional do Sindicato de Condomínios e Habitação de Londrina (Secovi), Rosalmir Moreira, do vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção (Sinduscon), Gerson Guariente Junior, e dos gerentes de mercado da Caixa Econômica Federal, José Roberto Matheus e Carlos Roberto Souza.
Além desta constatação, os debatedores afirmaram que Londrina possui ainda a vantagem de ter um excelente mercado imobiliário, onde os empreendimentos têm liquidez. ''Londrina sempre respondeu a todo e qualquer produto. A cidade tem muito dinheiro. Mesmo em momentos de crise o mercado tem movimento. A insegurança favorece a venda de imóveis'', sentenciou Raul Fulgêncio. Segundo Sapia, apesar dos momentos de dificuldade, os empresários conseguem se adaptar à crise. ''O mercado está ruim, mas ele não é ruim'', avaliou.
Um dos setores, por exemplo, de maior valorização do ponto de vista imobiliário, é o de imóveis comerciais. Na opinião dos empresários, esse produto tem bastante liquidez, principalmente no Centro. ''Os pontos são tão valorizados que são cobradas luvas nas negociações entre inquilino e locador'', ressaltou o imobiliarista Romeu Curi. Entende-se por luvas o valor adiantado pago pelo inquilino ao locador ou sublocador, reservadamente, para assinatura de contrato de locação, além do aluguel mensal.
As negociações comerciais na área central poderiam ser ainda melhores, segundo os imobiliaristas, se mudanças estruturais fossem implantadas no local. Entre as sugestões estão a flexibilização do horário do comércio, revitalização do Calçadão e reforço na segurança.
''No Calçadão, por exemplo, as atividades comerciais vão até às 18 horas, e à noite gera um sensação de escuridão e abandono, até porque no local fica só o movimento residencial. Agora, se tem um comércio mais valorizado, revitalizado, incentivado, criam-se condições de frequência maior'', opinou Curi.

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