'Setor garante 30% do meu faturamento'
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 

O empresário Carlos Alberto de Medeiros, sócio-proprietário da Padoka Panificadora e Confeitaria em Londrina, não é novato em licitações. Ele diz que já venceu ao menos 15 somente na cidade, para fornecimento de coffee breaks, lanches, leite e pão para os mais diversos órgãos públicos. "Dá uns 30% do meu faturamento anual e contratei a mais umas cinco ou seis pessoas", explica.
Autodidata, aprendeu as regras e mantém a documentação em dia, sempre de olho nas oportunidades. "Sempre digo que, se a pessoa tem seriedade e estrutura, entra porque vale a pena", diz Medeiros, que venceu a concorrência para o contrato de marmitex e lanches da Prefeitura de Londrina no último semestre.
Para outros, trata-se de uma nova porta aberta. O proprietário da Sadalu Confecções, Ademir Moreno, ficou com dois lotes de uniformes escolares na licitação de dezembro. "Consegui um preço no limite do que precisava. A vantagem é que dá volume, porque serão 9,2 mil peças, uma de manga curta e outra, longa, quando um pedido normal não passa de cem peças", diz.
Para Moreno, o contrato deve representar 10% do faturamento que teve em 2017. Ele elogiou a mudança de postura na prefeitura, ao dividir o volume total em vários lotes. "Ajudou, porque se fosse em uma licitação normal, uma empresa de fora teria levado tudo."

Consultor jurídico do Sebrae em Londrina, Mauro Amici conta outro caso que mostra que os empresários devem perder o "medo" de vender ao setor público. Um fabricante de uniformes ligou na última semana antes do prazo final da licitação dos uniformes porque queria participar e não conseguia ultrapassar a fase de documentação. Amici deu a assessoria pelo órgão e o fornecedor foi um dos seis a levar um contrato. "A orientação que damos é geral, sobre funcionamento, documentação, e é importante ressaltar que não orientamos o preço. Explicamos como funciona um pregão, que só vai para a fase de lance quem está até 10% acima da proposta mínima e que as margens são menores no setor público, porque se ganha em escala", conta.
Amici lembra da importância de o dinheiro ficar na cidade. "Um estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) mostra que o recurso gira sete vezes na economia antes de deixar a cidade, então é importante permitir o acesso das empresas daqui às licitações", completa.
Por meio de cadastro em portais eletrônicos de compras, é possível receber informações sobre a abertura de tomadas de licitações e outras concorrências na cidade. Há também programas do tipo em âmbito federal e de cada estado, como o Compras Governamentais (www.comprasgovernamentais.gov.br), o do Banco do Brasil (www.licitacoes-e-com.br) ou o Compras Paraná (www.comprasparana.pr.gov.br).


