São Paulo - Segundo o chefe de gabinete do Procon-SP, Vinícius Zwarg, o setor bancário é o segundo com maior número de reclamações, perdendo apenas para telefonia. Entre os problemas mais comuns estão os débitos em conta corrente feitos por meio de fraudes e roubos, entre outros, e o envio de cartão de crédito sem pedido do cliente. ''Percebemos que tem havido uma melhora na resolução dos problemas, mas ainda está longe de ser o suficiente.''
Matias, especializado em finanças, afirma que no Brasil o setor bancário ainda não desempenha seu papel de intermediador financeiro, que é captar recursos no mercado e emprestar ao menor custo para fomentar a economia. O País tem um dos menores mercados de crédito do mundo, em torno de 26% do PIB. Por causa desse volume pequeno, as despesas estruturais (pessoal, administração, entre outros) também são as maiores do mundo.
O professor da USP afirma, no entanto, que a política monetária do País também é responsável pelas instituições não cumprirem seu papel de intermediador financeiro. Com uma dívida pública elevada, o governo precisa se financiar com títulos públicos, cuja remuneração está atrelada à taxa Selic, afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Fernando Carlos Cerqueira.
Com o juro básico da economia no atual nível, torna-se mais atraente comprar papéis do governo do que emprestar o dinheiro no mercado. No crédito, o risco de inadimplência é elevado, enquanto os títulos do governo têm risco extremamente baixo ou quase zero.
''Os bancos brasileiros não vão mudar a postura enquanto a política econômica for essa. A elevada taxa de juros é um desestímulo para o mercado de crédito'', diz Cerqueira. Na sua opinião, as instituições financeiras cumprem no País o papel que o governo quer. ''Eles são beneficiários e vítimas da política monetária'', diz Matias. (Agência Estado)

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