Setor espera manutenção de apoio à comercialização
São Paulo - Ao longo do último semestre, o governo comprou trigo para compor os estoques da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), via Aquisições do Governo Federal (AGF), lançou contratos de opção de venda futura (mecanismo que garante determinado preço, no caso de exercício do título, a partir de março de 2009), liberou Empréstimos do Governo Federal (EGF) para financiar a estocagem nas propriedades e realizou leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), subsidiando o frete para que moinhos do Nordeste comprem trigo do Sul do País ao invés de importar.
O subsídio é uma compensação aos altos custos do frete de cabotagem, que tornam mais viável para a indústria moageira do Nordeste comprar trigo da Argentina que do Rio Grande do Sul. Os leilões de PEP realizados até agora tiveram demanda apenas pontual. A indústria do Nordeste alega que, a exemplo dos moinhos do Sul e do Sudeste, postergará as compras até consumir os estoques. Ninguém vai se precipitar. Todos estão com medo de comprar trigo caro e os preços caírem mais, diz Adriano Campos, diretor do Moinho Cearense e do Moinho Paulista.
Ele admite que há um certo nervosismo na área de produção, mas recomenda aos produtores e cooperativas que esperem até fevereiro. É quando começarão a ven-der, afirma.
A dúvida é se o governo manterá em 2009 os mecanismos de apoio à comercialização do trigo. Comenta-se no mercado que o governo já teria apoiado via compra direta ao produtor, contrato de opção ou subsídios de frete 1,1 milhão de toneladas de trigo, volume próximo do limite para esta safra.
Mas o setor produtivo espera que a ajuda seja mantida pelo menos no início do ano, quando a indústria em geral compra menos porque o consumo cai devido às altas temperaturas do verão. Por enquanto, só está confirmado um leilão de PEP para a hoje.
Além de PEP para estimular o escoamento do excedente de safra, o setor produtivo pede que os leilões de contrato de opção de venda futura sejam ampliados de forma a diminuir a disputa, que gerou ágio sobre o prêmio pago pelos produtores nos leilões realizados em novembro e dezembro. O governo sinalizou um preço de R$ 530 a tonelada para março. O produtor percebeu que dificilmente o mercado pagará este valor e decidiu negociar com o governo, diz Flávio Turra, assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Vamos pedir pelo menos mais um leilão de contratos de opção em janeiro para ajudar na comercialização. (J.M/A.E.)





