Setor entra em momento de crescimento estável
O supervisor de estatísticas e inteligência contábil do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Othon de Andrade Filho, diz que, após alta expressiva de negócios no setor de construção civil, ocorreu uma pequena redução em novos empreendimentos que assentou o desenvolvimento da indústria em um nível estável. Ele afirma que incentivos governamentais para a atividade, como o programa Minha Casa, Minha Vida, causaram um boom na construção civil. Porém, o aumento de vendas elevou a previsão de custos de materiais pela demanda superior à oferta, o que prejudicou a entrega de condomínios.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), Gerson Guariente Júnior, o alto crescimento do setor em 2010 foi excessivo e gerou problemas na região. Algumas empresas que fecham compras de aço, por exemplo, para o ano inteiro, já haviam desembolsado o valor, mas não receberam pela alta demanda e aumento de preços. Tiveram de gastar de novo para concluir uma obra, que acaba por atrasar.
Essa situação pode ser explicada pelo número de condomínios inaugurados no País. O supervisor do IBPT explica que é preciso registrar um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) para cada conjunto residencial. Foram 6.191 lançamentos em 2010 no País, com salto de 8% no ano seguinte, para 6.713. Porém, houve queda em 2012 para 5.912. As inaugurações em 2012 caíram 12% em relação a 2011, mas devem se estabilizar em 6 mil ao ano, diz Andrade Filho. Hoje são 180 mil condomínios no Brasil e ele estima um aumento estável em 3% nos próximos anos.
Guariente acredita que esse boom anterior já foi substituído por um crescimento sustentável, mais apropriado para qualquer segmento. Vamos manter o ritmo, sem desencaixe, com planejamento de três a cinco anos para que a indústria consiga trabalhar bem, afirma. (F.G.)





