Setor energético rumo ao colapso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de dezembro de 2001
Luiz Antonio Rossafa 
A quebra da gigante norte-americana Enron, a maior operadora mundial privada de energia reacende a discussão acerca da ineficiência da desregulamentação do setor. Atuando no Brasil desde 1994, a Enron controla a distribuidora Elektro. Atende 1,6 milhão de consumidores do interior paulista e possui parte do gasoduto Brasil-Bolívia. A Enron também tem participações em vários outros emprndimentos ligados à energia. Mas a falência da companhia estadunidense, entretanto, pode representar prejuízos incalculáveis para a economia e consumidores brasileiros.
O impacto da falência da Enron nos Estados Unidos ainda não foi assimilado, mas especula-se que já é a maior quebra da história que o país sofre e que poderá refletir era outras 40 nações era que a ex-gigante atua. Os executivos da empresa correm o risco de ir para a cadeia. O líder da maioria do Senado americano, o democrata Tom Daschle, pede uma investigação parlamentar sob pena de o fato se transformar nunca catástrofe para a indústria energética dos EUA. O senador defende a reavaliação da política de desregulamentação do setor. Em bom português, ele quer que o Estado reassuma o controle total do setor que considera estratégico.
Essas empresas são forasteiras e não têm nenhum compromisso além do lucro fácil. Sugam ao máximo as divisas nos países em que exploram o serviço e, ao mesmo tempo, as remetem às suas matrizes O investimento na geração de energia inexiste e a demanda de preços alcançam os céus. Porém, diante de quaisquer dificuldades econômicas conjunturais abandonam a ''periferia'' e deixem à própria sorte milhares de pessoas. Tudo com a conivência de governos como o brasileiro, que resiste a um projeto soberano desvinculado do receituário globalizante proposto pelo Fundo Monetário Internacional.
Ora, há urna confusão entre interesses público e privado. O que é vital para o capital privado estrangeiro é mortal para a nação brasileira. A política privatista do FHC para o setor energético é balizada por um novo tipo de capitalismo, inédito no mundo: o capitalismo sem risco. Basta vermos a intenção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em financiar o prejuízo das operadoras em decorrência do racionamento de energia. Algo em torno de R$ 5 bilhões, haja vista que o Estado (portanto nós, contribuintes) já financiou outros cinco bilhões de reais para que essas mesma empresas comprassem estatais (seria como se você fosse numa loja, comprar um automóvel e ganhasse do vendedor o dinheiro necessário para adquiri-lo!).
Some-se a essa desordem com os recursos públicos a alta prevista nas tarifas. Os consumidores poderão arcar com até 30% de aumento até 2003. Os preços de hoje, em relação a 1995, quando começaram as privatizações, são cerca de 100% maiores. A qualidade dos serviços pioraram em proporções geométricas. Se persistirem as privatizações das empresas de energia brasileiras podemos trilhar a médio prazo rumo às trevas, à escuridão, enfim, ao anunciado apagão e ao colapso do setor.
- Luiz Antonio Rossafa é presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetara e Agronomia do Paraná (CRER-PR).


