Londres - A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que o Brasil terá de melhorar o ambiente regulatório se pretende garantir os investimentos necessários para a sustentabilidade do setor energético nas próximas décadas. Em seu detalhado estudo ''Perspectiva da Energia Mundial 2004'', divulgado ontem, a agência estima que o consumo energético no Brasil vai crescer em média 2,5% anualmente até 2030. Para atender a essa demanda, o setor vai necessitar de investimentos de cerca de US$ 450 bilhões no período.
O economista-chefe da agência e coordenador do estudo, Fatih Birol, observa que o governo não será capaz de arcar com todo esse financiamento.''Por isso, um dos grandes desafios do Brasil, que já obteve avanços importantes nessa área nos últimos anos, será o de oferecer um ambiente regulatório mais transparente e consistente, que dê tranquilidade aos investidores'', afirmou.
Em entrevista exclusiva à Agência Estado, Birol observou que o petróleo e fontes renováveis continuarão sendo os principais componentes da plataforma energética brasileira, mas o País poderá ter de contemplar a expansão da geração de energia nuclear e a térmica para atender à demanda. ''O Brasil terá um importante crescimento de consumo energético, no petróleo principalmente por causa dos transportes, e na eletricidade por causa do consumo da indústria e doméstico'', disse Birol. ''Mas a energia nuclear, que tem um custo barato, juntamente com o gás, certamente será uma opção importante para o desenvolvimento econômico do País.''
A AIE acredita que os preços de energia no Brasil deverão se tornar cada vez mais orientados pelos mercados, com o avanço das reformas. Por causa disso, os preços de todos os produtos energéticos deverão convergir rumo às tendências dos preços internacionais ao longo das próximas décadas. A agência é vinculada à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e foi criada após a choque nos preços do petróleo na década de 70.
Auto-suficiência - A AIE, em seu estudo, afirma que o Brasil espera se tornar auto-suficiente em petróleo até 2006, quando a Petrobras encerraria as importações da commodity. ''Atingir esse objetivo vai depender amplamente do sucesso da empresa em ampliar a capacidade dos campos petrolíferos em águas profundas e ultraprofundas, cujos custos são elevados, em áreas como a Bacia de Campos, ao norte do Rio de Janeiro'', disse. Segundo a agência, diante dos grandes recursos necessários para isso , a participação de investidores estrangeiros tem sido estimulada.
Em outro trecho do estudo, no entanto, a AIE mostra um maior otimismo com a produção petrolífera brasileira. Ela observa que o País tem reservas petrolíferas comprovadas de 8,5 bilhões de barris e ''um enorme potencial para descobertas''. Esse potencial, segundo estimativas citadas pela agência, pode chegar a 55 bilhões de barris. A AIE calcula que a produção de petróleo do Brasil, que atingiu 1,7 milhão de barris diários no começo deste ano, deverá atingir 4 milhões em 2030 .

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