Sem respostas a contento sobre as suas reivindicações, o setor elétrico nacional resolveu cruzar os braços novamente, desde ontem, em todas as subsidiárias do Sistema Eletrobras. As principais reivindicações se referem ao Acordo Coletivo Trabalhista, vencido em maio, e ao reajuste salarial de 11,2%. A paralisação segue até hoje, com cerca de 80% dos funcionários parados em todo o País, conforme estima a Associação dos Empregados da Eletrobrás (Aeel).
Trabalhadores da unidade de Londrina, que abrange as subestações de Ivaiporã e Campo Mourão também cruzaram os braços ontem. As bases somam 48 funcionários no total, sendo 37 apenas de Londrina. Conforme José Mendes de Sousa, diretor do Sindicato dos Eletricitários de Londrina e Região (Sindel), aproximadamente 27 mil funcionários estão parados em todo o País. A Eletrosul possui subestações e regionais nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.
O diretor do Sindicato dos Eletricitários de Curitiba (Sindenel), Dion Oliveira, explica que a estatal oferece 6,51% referente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas a categoria pleiteia, no mínimo, mais 3%. ''Queremos chegar a 9,7%, pelo menos; percentual idêntico ao da negociação do ano passado'', diz.
Além do aumento real, a categoria pede isonomia com o Sistema Eletrobras, melhorias no Plano de Cargos e Remuneração (PCR) e nos planos de saúde, estendidas também aos aposentados; e ainda quer discutir questões técnicas relacionadas à Política de Operação, que está sendo implantada na Eletrosul. ''Essa política vai reduzir postos de trabalho, colocar em risco o sistema e, consequentemente, a população'', afirma Oliveira.
Com relação ao ACT, o presidente do Sindenel, Alexandre Donizete Martins, lembra que neste ano a categoria deflagrou três paralisações, sendo uma de 24 horas no dia 23 de maio e outra de 48 horas nos dias 6 e 7 de junho. ''Como não obtivemos avanço nos pleitos, resolvemos retomar o movimento'', relata. ''Ainda queremos demonstrar boa vontade em negociar, por isso não iniciamos uma greve'', reitera. A paralisação de Curitiba inclui as bases de Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Foz do Areia, Salto Osório e Salto Santiago.
Segundo o diretor da Aeel, Emanuel Mendes Torres, nos setores de operação e manutenção, os funcionários estão trabalhando em esquema especial para garantir que não haja cortes de energia. Segundo ele, se a empresa não reabrir um canal de negociação, os funcionários farão uma nova greve, de 72 horas, e em última instância, uma por tempo indeterminado.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Eletrosul, mas até o final desta edição não obteve nenhuma posição. (Com Agência Estado)

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