Em protesto às negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), funcionários das subsidiárias do Sistema Eletrobras deflagraram paralisação nacional por 48 horas desde ontem. Caso as negociações não sejam aceitas, a categoria promete deliberar greve de 78 horas, com possibilidade de se estender por tempo indefinido.
A exemplo das demais subestações da Eletrosul, trabalhadores da unidade de Londrina, que envolve as bases de Ivaiporã e Campo Mourão, também cruzaram os braços ontem. No total, as bases somam 48 funcionários, sendo 37 apenas de Londrina, onde foram mantidos na função apenas dois operadores do serviço essencial.
As principais reivindicações, de acordo com José Mendes de Sousa, diretor do Sindicato dos Eletricitários de Londrina e Região (Sindel), se referem aos processos de acordo coletivo que venceu em 1º de maio. A categoria pede reposição de inflação sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,51%. ''Pedimos aumento de 11%, mas a empresa ofereceu 6,51% sem ganho real. Queremos melhorias no Plano de Cargo e Remuneração (PCR) e um plano de saúde digno porque o que temos não está a contento'', elencou Sousa.
Segundo o diretor do Sindel, até o final da tarde de ontem, a subestação não recebeu contraproposta à altura. ''Ainda não tivemos indicação de que a empresa deseja negociar'', reiterou.
Os funcionários da Eletrosul de Curitiba, incluindo as bases de Guarapuava, Laranjeiras do Sul e Foz do Areia, também aderiram à paralisação buscando avanço na pauta de ACT e aumento real - principais exigências. ''As negociações aconteceram mas não houve avanço. A empresa se mantém na mesma posição'', afirmou o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Curitiba (Sindenel), Alexandre Donizete Martins. ''Se não obtivermos resultados, haverá greve de 72 horas, com possibilidade de se manter por tempo indeterminado'', relatou.
A assessoria de imprensa da Eletrosul informou à FOLHA que as negociações estão sendo feitas e que o fornecimento e transmissão de energia não foram afetados, pois os setores de operação e manutenção continuam funcionando. A reportagem não conseguiu contato com a Eletrobras.
Abrangência
Na condição de holding, a Eletrobras controla grande parte dos sistemas de geração e transmissão de energia elétrica do Brasil por intermédio de seis subsidiárias: Eletrobras Chesf, Eletrobras Furnas, Eletrobras Eletrosul, Eletrobras Eletronorte, Eletrobras CGTEE e Eletrobras Eletronuclear. Além de principal acionista dessas empresas, a Eletrobras, em nome do governo brasileiro, detém metade do capital de Itaipu Binacional.
A Eletrosul é uma empresa subsidiária da Eletrobrás e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Suas atividades abrangem os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Atende mais de 30,5 milhões de habitantes que correspondem, aproximadamente, a 20% do mercado nacional de energia elétrica.

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