Setor do vestuário espera por apoio em 2013
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de dezembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
A expectativa das indústrias têxtil e de vestuário no Paraná é de voltar a crescer apenas em 2013, com as compras de varejistas para o inverno que são feitas no início do primeiro semestre. Mesmo assim, 2012 deve se encerrar como um segundo ano de dificuldades frente à competição dos produtos importados e representantes dos segmentos cobram medidas governamentais, como o corte de impostos, para voltar a investir e a gerar empregos.
O temor é ter de continuar à mercê de variáveis como a valorização do dólar sobre o real, que diminuiu a competitividade dos importados neste fim de ano, ou como os baixos estoques de roupas de frio dos lojistas para a próxima temporada. O sentimento da presidente do Sindicato da Indústria de Vestuário (Sindivest) de Curitiba, Luciana Bechara, é que as medidas do governo federal demoram a atingir os segmentos por não serem direcionadas como ocorreu com o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros e móveis.
Luciana esteve na semana passada em Brasília, no Encontro Nacional da Indústria (Enai), e ouviu no discurso da presidente Dilma Rousseff que ela tem interesse na reforma tributária, mas que sofre com entraves como a resistência de governos estaduais. Por isso, a opção pelas reduções de tributos como a que ocorreu com o IPI. ''O tempo que o governo precisa para uma reforma tributária não é o mesmo que as indústrias aguentam, com o risco de ficarem no meio do caminho. Se reduzir impostos, já serve'', diz Luciana.
Opinião semelhante tem o presidente do Sindivestuário, Ronald Masijah, que atribui o declínio na produção ao aumento na importação. ''Os importados entram no País porque não conseguimos competir (com a indústria estrangeira) com essa carga tributária tão alta. Nosso parque industrial é moderno, o problema são os tributos'', disse.
Segundo números do Sindivestuário, que reúne entidades industriais de roupas e confecções do País, houve aumento de 272% nas importações desse tipo de produto desde 2008. O resultado foi a queda de 10,63% na fabricação do setor de vestuário e de 4,6% no têxtil, entre janeiro e outubro deste ano, de acordo com a última Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do IBGE. Por outro lado, o varejo de roupas cresceu 2,9% no período, o que mostra a influência dos importados.
Não há dados específicos na pesquisa do IBGE sobre o Paraná, mas Luciana afirma que a situação no Estado é equivalente ou pior. Ela diz que a indústria pernambucana de roupas e tecidos está mais aquecida, o que deixa os números gerais um pouco menos ruins. Ela lembra, por exemplo, que o número de empregos cresceu nos dois setores neste ano porque houve cortes em 2011. ''Nosso índice de produção deve ficar no zero ou positivo até dezembro, mas só porque não ocorreu uma invasão de importados no segundo semestre como em 2011'', conta.


