Setor deve demitir 8 mil em SP
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terça-feira, 16 de setembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O setor de supermercados deverá fechar esse ano com mais de 8 mil demissões somente na cidade de São Paulo. A estimativa é de um estudo produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) a pedido do Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo. Até julho, 4,76 mil pessoas foram demitidas no setor.
O documento aponta ainda para a precarização das condições de trabalho no setor de supermercados, especialmente com a abertura das lojas aos domingos.''Com o funcionamento do comércio - e dos supermercados em particular - aos domingos, o trabalhador do setor se vê privado do convívio com a família. Além disso, com o banco de horas, o domingo é considerado como qualquer outro dia da semana, o que prejudica a remuneração do empregado. Ou seja, o domingo trabalhado não é pago em forma de hora extra, uma vez que vai para o sistema de compensação, via banco de horas'', indica o texto.
A remuneração dos trabalhadores também foi afetada, com a substituição de mão-de-obra com o pagamento de salários menores para os novos contratados. ''A diferença mais expressiva nos rendimentos de admitidos e desligados ocorre em junho de 2002. O salário médio dos admitidos correspondia a aproximadamente 75% do recebido pelos funcionários desligados'', informa o documento.
A expansão das grandes redes, resultante de fusões e internacionalização, resultou num crescimento de 7,7% no número absoluto de empregados no País. Em termos relativos, no entanto, o estudo indica ter ocorrido diminuição de postos de trabalho por unidade. ''Em 1993, por exemplo, os supermercados empregavam, em média, 7,2 trabalhadores para cada 100 metros quadrados. Em 2002, cada 100 m2 eram ocupados por apenas 5,8 empregados, o que corresponde, portanto a uma queda de 19%'', informa o Dieese. ''Essa relação indica ainda que pode estar havendo aumento da responsabilidade na medida em que os trabalhadores têm uma área maior para cuidar'', complementa.
Embora cada nova grande unidade gere de 300 a 400 novos empregos, o Dieese lembra que a expansão das grandes redes traz consigo um ''potencial destruidor'' sobre o pequeno comércio nas áreas adjacentes dos novos empreendimentos. ''Na maioria das vezes esse pequeno negócio é de caráter familiar e não resiste à concorrência do supermercado, vindo a desaparecer'', comenta o estudo.


