Setor de vestuário em busca de novos mercados
As indústrias têxteis e de confecções do Paraná devem buscar novos mercados importadores a partir do próximo ano. Embora o pólo estadual seja o segundo maior do Brasil, no geral, as exportações são pouco significativas (de cerca de 1% da produção total). No Brasil são 28 mil indústrias têxteis e 25 mil do vestuário, sendo que no Paraná estão 5 mil. Todo o setor emprega cerca de 2,5 milhões de pessoas e têm faturamento aproximado de R$ 4 bilhões. A produção estadual é estimada em 150 milhões de peças.
Neste primeiro momento, a crise financeira global não trouxe impactos negativos para o setor. Ao contrário, pode gerar oportunidades. A alta do dólar encareceu as peças importadas e, por isso, a indústria nacional ficou mais competitiva. A produção local é compatível com a demanda interna enquanto os importados ficaram mais caros, avalia Edvaldo Pires Corrêa, coordenador estadual do Programa do Vestuário do Sebrae-PR. No entanto, o setor poderá sofrer no próximo ano, não a partir da crise, mas com o fim do acordo de cotas firmado com a China.
Este pacto, vigente até o final deste ano, ainda não foi renovado e impedia a entrada no País de 72 produtos (peças do vestuário como malharias) para proteger a indústria nacional. Se estes produtos começarem a entrar no País vai afetar em cheio as indústrias de menor porte, que já não trabalham com um design diferenciado, avalia Corrêa. Por isso, para atenuar este efeito China o consultor sugere a necessidade de modernização da estrutura industrial, além de cuidados administrativos como preservar a liquidez da empresa, cuidados com os custos e com os prazos de pagamento.
Roupas são um produto de primeira necessidade e, por isso, o setor não deve passar por muitos abalos, comenta o coordenador do programa. No Paraná há pólos fortes de produção de jeans e modinha (Maringá e Cianorte), moda feminina (Londrina), bonés (Apucarana), malharia (Imbituva), moda masculina (Região Sudoeste), bebê e infantil (Região Oeste). Em Curitiba e região metropolitana a produção é multisegmentada. Neste ano todo o setor cresceu 5% com relação ao ano passado, índice abaixo do desempenho do varejo, que ficou em 10%. Corrêa acrescenta que o Sebrae desenvolve um trabalho para melhorar as redes de comercialização, utilização de tecnologia e inovação. (F.M.)





