Setor de veículos prevê reaquecimento
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Todos os segmentos envolvidos na cadeia automotiva esperam que o setor dê a engrenada necessária em março para terminar 1998 com algum crescimento. Os fabricantes de componentes já se prepararam para entregar às montadoras pelo menos o dobro do que forneceram em dezembro. Embora as montadoras alardeiem uma queda de 4% na produção deste ano, economistas calculam que a indústria automobilística será um dos poucos setores a experimentar crescimento este ano, entre 3% e 5%.
Um setor que cresceu 15% no ano passado ainda tem fôlego para crescer este ano, por mais que tenha sido atingido pela crise, destaca a economista Denise de Pasqual, da Tendências Consultoria Integrada. A indústria automobilística leva a vantagem de não vir de uma queda, como a de outros setores.
A consultora prevê que o reaquecimento do consumo em geral só virá forte a partir do segundo trimestre. Mas o quadro de melhora excluirá, em parte, os automóveis. Na hora do aperto, o consumidor acaba adiando a compra do carro para pagar outras dívidas ou comprar produtos de menor valor, justifica. No entanto, ao final do ano, o setor terá recuperado parte da perda.
A General Motors programou para março produção 20% maior do que a de fevereiro, o que soma 35 mil veículos. O número é igual ao volume de março de 1997. Em fevereiro a empresa fez 29.500 veículos, volume 10% menor que o de fevereiro de 1997. No mês anterior, a produção de 24 mil unidades foi 8% menor que a de janeiro de 1997. O primeiro trimestre deste ano deverá ser igual ao do ano passado, destaca o vice-presidente de assuntos corporativos, José Carlos Pinheiro Neto. Ou seja, o impacto do ajuste fiscal não provocou estrago tão grande.
Por outro lado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) espera para março um aceno do governo para reativar o consumo. E não se trata apenas de taxas de juros mais baixas. O presidente da Anfavea, Silvano Valentino, conta com uma redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os níveis anteriores ao pacote fiscal. O governo acenou com a possibilidade de fazer esta intervenção em torno de março, destaca.
De qualquer forma, o ritmo do fornecimento vai aumentar em março. A produção da Firestone vai dobrar na comparação com dezembro. Não se trata de euforia. Em dezembro, a produção de pneus da empresa ficou 50% abaixo da de outubro, véspera da edição do pacote fiscal.
Do lado dos concessionários, a expectativa também é otimista. O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sérgio Reze, diz que há expectativa de melhora para março. Mas ele avisa que os descontos devem ser mantidos.


