Setor de turismo acumula superávit de US$ 5,6 bi
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O setor de turismo no Brasil teve um crescimento de 24,1% em 2004, se comparado ao ano anterior. O número de postos de trabalho aumentou 12,9%. Os dados fazem parte da Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nos dois primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o turismo acumulou um superávit de US$ 5,6 bilhões, depois de mais de uma década de saldo negativo. Somente no ano passado, entraram no Brasil cerca de 4,7 milhões de turistas estrangeiros (um crescimento de 14% em relação a 2003).
De 1990 a 2002, a Conta Turismo (diferença entre o que os brasileiros gastam no Exterior e os estrangeiros gastam no País) acumulou déficit de US$ 22,5 bilhões. No ano passado foi detectado um saldo positivo de US$ 350 milhões (61% a mais do que em 2003). Os estrangeiros gastaram no Brasil cerca de R$ 3,22 bilhões e os brasileiros gastaram no Exterior mais de US$ 2,87 bilhões.
Dados da Polícia Federal demonstraram que em novembro do ano passado, 581 mil passageiros estrangeiros entraram no País nos mais diversos aeroportos brasileiros. Em 2003, foram 563 mil. Em janeiro de 2005, desembarcaram em vôos regulares internacionais cerca de 607,6 mil passageiros e outros 52,2 mil em vôos fretados.
Os empresários de agências de viagens constataram elevação de 20,1% no faturamento no ano passado e aumentaram em 6,1% o número de postos de trabalho. A expectativa do setor é crescer este ano cerca de 14,4% com abertura de novos postos de trabalho (5,2% a mais do que em 2004). As maiores preocupações das agências como inibidores de crescimento seriam: a carga tributária elevada, a legislação desfavorável e as condições econômicas vividas no Brasil.
O setor hoteleiro brasileiro faturou 17,5% a mais em 2004 do que no mesmo período de 2003 e espera continuar crescendo em 2005 (cerca de 14,3%). Entretanto, o setor calcula que os custos operacionais devam aumentar em média 7,7% este ano e os preços para os clientes serão majorados em 9,4%. Deverão ser criados 10,3% a mais de postos de trabalho em 2005. As maiores preocupações com o setor também são a carga tributária elevada, a conjuntura econômica adversa, aumento de custos operacionais e escassez da demanda nacional.
As operadoras tiveram expansão de 47% no faturamento em 2004 e prevêm crescimento de 24,8% em 2005, quando deverão ser criados 25% a mais de postos de trabalho do que no ano passado. Apesar do otimismo do setor, a carga tributária brasileira ainda preocupa os empresários das operadoras. Também são preocupantes, segunda a pesquisa, a legislação desfavorável, a escassez de financiamento a longo prazo e o aumento dos custos operacionais.
As locadoras estimam aumento de 18,6% em 2005. No ano passado, o faturamento no setor cresceu cerca de 23,3%. Os postos de trabalho aumentaram 9,3% em 2004 e devem aumentar ainda mais: cerca de 11,4%. Problemas como carga tributária elevada, aumento nos custos operacionais, legislação desfavorável, conjuntura econômica adversa e escassez de mão-de-obra qualificada foram os principais entraves observados pelo empresariado brasileiro.


