Setor de transporte cobra melhoria de infra-estrutura
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - Empresários do setor de transporte rodoviário de cargas de Minas Gerais lançaram ontem um movimento para cobrar investimentos na melhoria da infra-estrutura do País e ao mesmo tempo interferir na formulação de políticas governamentais. A intenção é deflagrar um processo nacional em que ''soluções definitivas'' para a infra-estrutura de transportes no Brasil se transformem em metas dos governos federal, estaduais e municipais.
Batizado de ''A Hora e a Vez da Infra-estrutura de Transportes no Brasil'', o movimento já estabeleceu dois pilares de atuação: o monitoramento das obras contidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a defesa da aplicação total dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na recuperação da malha rodoviária.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Paulo Sérgio Ribeiro, a capacidade do governo de executar todas as obras de infra-estrutura previstas no PAC ''está sob suspeita''.
Segundo ele, o grave problema de infra-estrutura de logística no Brasil demanda ações emergenciais. No entanto, se as obras relacionadas no programa tivessem que ser contratadas no próximo semestre, o Ministério dos Transportes não teria condições administrativas de executá-las, afirma. Ribeiro reclama mais recursos para investimentos no setor e acredita que o correto seria o governo transferir parte das obras para os Estados, que assumiriam a responsabilidade pela execução. ''Tem que descentralizar''.
Em relação à Cide, o presidente da Fetcemg observa que o principal problema é desvio dos recursos arrecadados para outros fins, contrariando a função original da contribuição, criada em 2001. ''Os recursos dela provenientes não aparecem nas estradas. Parte está indo para o caixa único para pagar juros''.
Em 2006, a Cide, cobrada sobre o consumo dos combustíveis, arrecadou R$ 7,8 bilhões. O aumento da fatia da contribuição repassada aos Estados e municípios - dos atuais 29% para 46% do total arrecadado - foi uma das reivindicações listadas pelos governadores logo após o anúncio do PAC.
Custo - O presidente da Fetcemg citou um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que a deterioração das rodovias federais custa anualmente R$ 22 bilhões ao Brasil e R$ 6,5 bilhões para as empresas de transporte de carga. Ele enfatiza que o custo com transporte no País hoje é praticamente 50% maior do que nos Estados Unidos, o que gera perda de competitividade internacional e inibe o investimento estrangeiro.


