Setor de TI está na contramão da crise
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A crise econômica mundial passou longe do segmento de Tecnologia da Informação (TI) instalado em todo o Brasil. Na contramão das turbulências do mercado, o setor manteve crescimento em 2008 e tem perspectivas ainda melhores para este ano. As indústrias paranaense e a regional estimam desempenho superior ao nacional. Enquanto em todo o País, o setor deve crescer cerca de 9%, no Paraná o índice esperado é de 13% e, em Londrina, 20%. No ano passado - quando estourou a crise - as empresas regionais também cresceram 20% sobre 2007.
''Não houve demissões, não há perspectivas de demissões e ninguém registrou queda no faturamento. Aliás, estamos na contramão da crise, acreditamos que haverá oferta de novas vagas e aumento do faturamento'', salienta Marcus Von Borstel, presidente do Arranjo Produtivo Local (APL) de TI. O coordenador estadual do Programa de TI do Sebrae-PR, Ricardo Almeida Pereira, acrescenta que o mercado estadual é forte. ''Além disso, a TI é um setor de apoio a outros segmentos empresariais e, em períodos de crise como agora, estas empresas estão procurando aumentar sua competitividade e isto é feito através da TI'', observa.
No Paraná são seis polos de TI distribuídos por todas as regiões, cada um com características próprias. Um dos fatores que mais revela a dimensão do setor é a falta de mão-de-obra. Até o próximo ano o segmento deverá abrir cerca de 10 mil novas vagas de trabalho em todo o Estado. ''Atualmente já há muitos postos em aberto e, por isso, o setor tem investido em formação e qualificação da mão-de-obra para tentar suprir a demanda'', diz Pereira. A procura por profissionais deve se manter elevada, principalmente, porque as empresas locais têm buscado associações empresariais, fusões e joint-ventures para participações em licitações públicas e de multinacionais.
Diversificação
A ''imunidade'' perante à crise talvez possa ser resumida em apenas uma palavra: diversificação. Em Londrina, por exemplo, a maioria das empresas atuam em cerca de 50 segmentos e com produtos variados. As empresas também continuam exportando e para este ano o APL irá desenvolver um trabalho de internacionalização do grupo de software. Estão sendo articulados encontros de negócios com empresários da América Latina. ''Atuar no mercado internacional é uma estratégia'', diz Marcus Von Borstel.
Por isso, ainda neste semestre devem ser realizadas reuniões com os representantes da Câmara de Comércio de TI do Paraguai, que são os responsáveis comerciais de hardware e implantação de sistemas de toda a América Latina. A agenda prevê ainda uma visita técnica comercial à Córdoba, na Argentina. Também estão sendo articulados projetos de qualificação e capacitação. Um deles libera dinheiro a fundo perdido - até o limite de R$ 10 mil - por meio do Programa de Incentivo à Exportação. Do total da verba, as empresas têm que arcar com R$ 900, para realização do diagnóstico mais R$ 2,4 mil como contra-partida.
No ano passado o setor registrou um aumento no número de empresas. Uma pesquisa realizada em parceria pelo APL e pelo Sebrae mostrou que são 137 empresas instaladas; em 2007 eram 110. ''O setor, em sua maioria, é formado por micro e pequenas empresas, mas o faturamento é inversamente proporcional a esse quadro'', avalia Joel Franzim Júnior, consultor do Sebrae.


