Setor de TI cresce 10% do Paraná em dois anos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - O mercado de Tecnologia da Informação (TI) e software cresceu 10% só no período de 2008 a 2010, conforme dados de uma pesquisa realizada pelo Sebrae-PR. De acordo com o vice-presidente para o Brasil da empresa de pesquisa em TI Gartner Research, Maurício Othani, entre as principais tendências para o futuro do setor estão a mídia social, a mobilidade, a computação em nuvem e a informação.
De acordo com ele, os empresários terão que investir cada vez mais em inovação. ''Vejo hoje nas empresas sempre muito mais desejo de inovar do que ações para isso'', destacou. Segundo Othani, atualmente, menos de 7% das micros e pequenas empresas investem em inovação.
O vice-presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), Siro Canabarro, disse que o setor de TI do Paraná é um dos que mais cresceu no Brasil. O Estado também fica em segundo lugar na certificação de Melhoria do Processo de Software. ''Uma startup (empresa de tecnologia com baixo custo para ser criada, mas com crescimento rápido) não se cria com dinheiro, mas com ideias'', destacou.
No entanto, um gargalo do setor é a falta de mão de obra qualificada. ''O interesse das pessoas para entrarem para a área de tecnologia é pequeno apesar do salário médio no Paraná estar entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil. Um administrador de banco de dados pode ganhar cerca de US$ 6 mil no Brasil'', enfatizou.
Outro entrave para o segmento, segundo ele, é a alta carga tributária. Ele defende que o governo federal comece a enxergar o setor como estratégico. ''Há um grande mercado querendo comprar (produtos e serviços de TI). São ondas que precisam ser bem aproveitadas'', destacou. Todos estes temas estão sendo discutidos no evento de TI, Paraná TIC, que começou ontem e encerra hoje em Curitiba.
O coordenador do programa estadual de TI e Software do Sebrae-PR, Emerson Cechin, disse que hoje o Paraná conta com seis Arranjos Produtivos Locais (APLs) de TI em Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e no Oeste e Sudoeste do Estado, que reúnem um total de 300 empresas. A maioria das empresas trabalha com softwares para gestão de negócios. Hoje, o Estado conta com um total de 3 mil empresas do setor.
Segundo ele, os empresários reunidos em APLs são mais competitivos. O diretor comercial do grupo APR e diretor da Soft Center de Londrina, Carlos Henrique Kasuya, disse que o APL da cidade é formado por 40 empresas, existe desde 2006 e é o mais antigo do Estado. ''Os APLs beneficiam o setor como um todo'', destacou.
Kasuya contou que a empresa dele, que atua na área de software para o setor do transporte de cargas, foi criada em 2006 com 20 funcionários. A Soft Center se uniu a outras três empresas para formar o grupo APR, o que possibilitou cooperação técnica, comercial e administrativa entre as companhias. Hoje, o grupo está presente em Londrina, Cascavel e Curitiba e tem atuação em 23 estados brasileiros, além de contar com 650 clientes. A união das empresas permitiu uma redução de custos superior a 60%.
O Paraná TIC está na 2 edição e deve reunir até o final do evento 300 pessoas. ''O encontro começou com a necessidade de mostrar o que é feito no Paraná e o que está acontecendo no mundo'', disse Siro Canabarro, da Assespro.


