A lacuna na mão de obra na área de Tecnologia da Informação (TI) permanece grande. No Brasil, estudos apontam que o deficit de profissionais chegará a 750 mil vagas até 2020. Atualmente, este número está em 115 mil. Na opinião do presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Norte do Paraná (Sinfor), Gilmar Machado, a indústria de software é ''privilegiada'' neste sentido, pois pode contratar estudantes a partir dos 16 anos de idade. Ele defende que as empresas aproveitem esta oportunidade para preencher sua demanda de mão de obra.
Estes estudantes geralmente são contratados como programadores. ''Acredito que um menino de 16 anos tem capacidade para, em um ano e meio, dois anos, estar apto a programar muito bem. Cabe às empresas começarem a abrir o mercado para pessoas mais novas. Aí sim vai ter mão de obra.''
O presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PR), Sérgio Yamada, confirma que já há um tempo as empresas passaram a contratar estudantes de graduação para preencher a lacuna de trabalhadores que os formados não conseguem preencher, e quando se deram conta de que a oferta de mão de obra nas universidades ainda era pequena, foram aquém e passaram a buscar colaboradores ainda no Ensino Médio para compor a base da pirâmide da empresa. O tempo de formação de um profissional completo é longo, e a economia do país não pode esperar, ele observa.
''Com o crescimento acelerado da economia, e TI é um setor transversal, que atende a todos os ecossistemas da economia, o setor tem que se multiplicar para atender a demanda. Como não tem como acelerar o processo de educação, você acaba contratando pessoas para terminar sua formação dentro da empresa. Nas universidades não há pessoas o suficiente, então as empresas já estão começando a buscar no Ensino Médio.'' Para ele, este movimento ainda ''deve se intensificar e durar algum tempo'' também para os cargos de analista de sistemas.
De acordo com Yamada, estes jovens entram nas empresas como estagiários, mas existem casos de meninos ''prodígios'' que acabam sendo contratados mesmo antes de completarem a maioridade (veja no box).
Porta de entrada
Coordenador do curso Técnico em Informática no Senai Londrina, Henrique Camargo Carlos afirma que muitos dos estudantes passam a estagiar ainda durante o curso e se formam já empregados. Eles ocupam funções na programação e no suporte técnico. ''Na área de TI, onde o conhecimento vale mais que a formação, as empresas querem um bom profissional que saiba programar.'' Estes estudantes iniciam o curso no Ensino Médio e terminam aos 17 ou 18 anos de idade.
Segundo Freud Oliveira, diretor do Cesumar Empresarial, em Maringá, em três anos de atividades do Plano Setorial de Qualificação na área de Tecnologia da Informação para o Estado do Paraná (PLANSEQ TI/PR), que visa capacitar pessoas para trabalhar em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 600 alunos - grande parte nos seus 16 anos - já foram posicionados no mercado de trabalho em todo o Estado. Quando entram na empresa, geralmente estes estudantes cumprem um período de 30 a 90 dias de experiência e logo são efetivados.

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