Setor de software tem crédito especial
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Cláudia Lopes 
O BNDES dispõe de uma linha de crédito especial para desenvolvedores de software que destinará R$ 30 milhões em recursos para todo o Brasil. Os financiamentos para as empresas variam de R$ 200 mil a R$ 2 milhões e o prazos de pagamento são de até seis anos (incluindo os dois anos de carência). Os detalhes dessa linha de crédito foram apresentados ontem, em Londrina, pelo gerente de operações de software do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Castello Branco (foto), que apresentou palestra sobre o Programa de Apoio do Setor de Software do banco.
Segundo Castello Branco, a atualização monetária é feita pelo IGPM mas a remuneração é variável. O banco arca com até 85% dos investimentos previstos nos planos de negócio das empresas, diz Castello Branco.
Ele explica que a remuneração é calculada sobre o percentual de acréscimo na receita anual da empresa, baseado no faturamento do ano anterior à contratação do empréstimo. Não existe uma taxa de juros fixa. Negociamos a taxa conforme o impacto que o financiamento produzirá na receita, diz Castello Branco.
Caso não exista acréscimo, o saldo devedor será atualizado anualmente pelo IGPM. É uma operação de risco. Tanto que o banco não exige garantias como imóveis e maquinário. As garantias são cauções de ações que representem o controle da empresa e a fiança dos controladores, afirma Castello Branco. Segundo ele, o banco criou esta linha especial porque a maioria das empresas do setor não tem acesso aos finaciamentos convencionais. Geralmente, os empresários não dispõem de bens para dar como garantia. São pessoas com grandes idéias e pouco dinheiro.
As empresas interessadas devem ter receitas de 0 a R$ 20 milhões no ano anterior ao pedido do financiamento. Outra exigência é que, se ainda não estiverem exportando, elas tenham condições de começar a vender produtos e serviços para o exterior até 30 meses após a assinatura do contrato de empréstimo.
O projeto do BNDES conta com a parceria do programa Softex, que tem 20 núcleos no País. Se der certo, o banco pretende estender o programa a outros setores, diz Castello Branco, que ontem à tarde também visitou a Incubadora Industrial de Londrina e o projeto Genorp, a base operacional do projeto Gênesis em Londrina que funcionana na Universidade Estadual de Londrina (UEL).


