Setor de serviços retrai menos no Paraná
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quarta-feira, 13 de abril de 2016
Luís Fernando Wiltemburg Santos<br>Reportagem Local 
O volume de prestação de serviços teve retração menor no Paraná quando comparado com o total do País no mês de fevereiro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) levantada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada ontem. Entretanto, a maior retração no mercado paranaense ocorreu no setor de serviços para famílias, o que indica perda real no poder aquisitivo dos lares, segundo o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Marcos Rambalducci.
Em âmbito nacional, a prestação de serviços retraiu em -4% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 2016, a queda foi de -4,5% e, nos últimos 12 meses, o resultado foi de -3,7%. Para o técnico de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha, a série de resultados observados nos últimos 12 meses indica uma estabilização no setor de serviços. "Temos de observar nos próximos meses se vai haver uma reversão dessa estabilização." No Paraná a retração geral foi de -0,9% em fevereiro deste ano, quando comparado com 2015, bem inferior à nacional.
Para fazer o levantamento, o IBGE separa em cinco setores: serviços prestados à família (alimentação e hospedagem, beleza, saúde, educação etc); de informação e comunicação; profissionais, administrativos e complementares; transportes, serviços auxiliares de transportes e correios; e outros serviços (na qual entram atividades imobiliárias, serviços de manutenção e reparação, serviços auxiliares financeiros, serviços de esgoto e serviços de coleta, tratamento e disposição de resíduos e recuperação de materiais, entre outros).
Segundo o levantamento do IBGE, o setor de serviços para famílias teve uma leve recuperação e caiu menos que nos dois meses anteriores. O setor de transporte também teve diminuição na queda, atribuído por Saldanha ao transporte agropecuário aquaviário, que envolve a exportação.
Por outro lado, o serviço de informação e comunicação foi um dos que mais influenciaram no resultado geral, em função do desaquecimento das atividades econômicas que levaram à redução da demanda dos serviços de comunicação e informação. "Também houve queda de renda das famílias, que passaram a consumir menos serviços de telefonia celular e televisão por assinatura", ressalta Saldanha.
Realidade paranaense
Segundo Marcos Rambalducci, a menor retração no Paraná ocorre porque o índice nacional engloba também Estados do Nordeste, onde os resultados são piores, o que puxa para baixo o desempenho geral. "O Paraná tem respondido com certa defasagem em relação ao cenário total", ressalta o consultor econômico da Acil.
Entretanto, ao contrário do registrado em âmbito geral, o resultado paranaense foi bastante afetado pelo setor de serviços às famílias, que registrou retração de 9% em fevereiro. Rambalducci aponta que isso ocorre como reflexo da queda de renda e as famílias passam a consumir menos serviços: trocam as escolas particulares por públicas, por exemplo, mas também diminuem as idas ao salão de beleza e reduzem os dias da diarista. "A renda diminuiu e estamos buscando outras alternativas", explica.
Isso justificaria, também, o resultado no setor de outros serviços e no de tecnologia e informação. "As famílias estão cuidando para não estourar a franquia e trocando por pacotes mais baratos, incluindo os serviços de tevê por assinatura." Para ele, o processo caminha para uma desaceleração e o setor de serviços precisará reequilibrar seus valores. Por outro lado, o agronegócio forte do Paraná e a exportação podem justificar o bom resultado dos serviços de transportes, único positivo no Paraná.



