Setor de serviços recua 4,2% no Paraná em 2015
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O setor de serviços recuou 5% no Brasil e 1,3% no Paraná em dezembro de 2015. Considerando todo o ano, as retrações são de 3,6% e 4,2%, respectivamente. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). No acumulado do ano, somente em Rondônia houve aumento da atividade produtiva no setor, de 5,3%. Todos as demais 26 unidades federativas apresentaram resultados negativos, sendo que a queda maior foi no Amapá (-11,8%).
Nos sete Estados das regiões Sul e Sudeste, somente Minas Gerais teve retração mais expressiva do que o Paraná (-4,5%) no fechamento de 2015. São Paulo obteve a menor queda entre eles (-3%).
O subsegmento de transporte terrestre foi o que mais sofreu no ano passado, tendo recuado 10,4% em todo o País. Depois, vieram os serviços técnico-profissionais (-9,7%), os serviços de alojamento e alimentação (-5,5%), armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correios (-4%), e outros serviços prestados às famílias (também -4%). Apenas três subsegmentos tiveram expansão em 2015: transporte aquaviário (17,6%), serviços de tecnologia da informação (4,5%) e transporte aéreo (4,3%).
Na esfera estadual, o IBGE não divulgou os subsegmentos, apenas os segmentos. E o pior desempenho no Paraná foi nos transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (-6,2%), que é subdividido nas atividades de transporte terrestre, transporte aquaviário, transporte aéreo, e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio.
Termômetro
Gilberto Cantú, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Paraná (Setcepar), afirma que o segmento funciona como termômetro da atividade econômica, que diminuiu muito em 2015. O transporte na área industrial recuou entre 20% e 25% no Paraná, segundo ele. "No setor automobilístico (transporte de peças), a redução foi maior, chegando a 50%", declara.
O empresário diz que o transporte ligado ao agronegócio foi o único que manteve um desempenho razoável no ano. "A movimentação de alimentos também não teve queda significativa.". As transportadoras paranaenses, de acordo com ele, estão em situação muito difícil. "Algumas fecharam e outras estão em vias de fechar", conta.
Além da diminuição da demanda pelo serviço, as transportadoras têm de lidar com o aumento de custos, principalmente óleo diesel e mão de obra. "No ano passado, nossos custos aumentaram de 10% a 12%", alega. Para Cantú, não há luz no final do túnel e 2016 poderá ser ainda pior. "Enquanto não houver uma solução para a questão política no País, os empresários não vão voltar a investir", ressalta.
Tecnologia da informação
Embora ainda não tenha um número fechado, o presidente do Arranjo Produtivo Local (APL), de Tecnologia da Informação (TI), Luís Carlos de Albuquerque Silva, tem certeza de que a atividade se expandiu na região de Londrina no ano passado. A meta traçada no planejamento estratégico da entidade no ano anterior era de 1.800 novas contratações. "Em momento de crise, o empresário tem de buscar oportunidades. E a TI faz a empresa dele se tornar mais competitiva", justifica.
O fato de ser uma atividade "transversal", segundo Silva, também ajuda o segmento a passar ao largo da crise. "Outro fator que nos ajuda são medidas governamentais como a implantação da nota fiscal eletrônica", afirma ele, alegando que as empresas precisaram contratar serviços de TI para implantarem a novidade.
Pior quadro
O economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marcelo Curado afirma que o setor de serviços no País é o último a ser afetado nas crises. E que a retração de 3,6% no ano é preocupante. "Preocupa bastante porque o setor é o principal gerador de empregos", declara. Ele acredita que 2016 não será pior que 2015, mas ainda assim será um ano muito ruim, com retração do Produto Interno Bruto (PIB) na casa de 3%. "O desemprego vai aumentar e a inflação vai continuar acima da média. É o pior quadro possível", projeta.



