Rio - A receita bruta do setor de serviços cresceu 6% em 2014, a menor taxa histórica da série, iniciada em 2012, mostra a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. A maior taxa de crescimento acumulado foi observada no segmento de serviços prestados às famílias, 9,2%, contra 10,2% em 2013. Dentro do segmento, os serviços de alojamento e alimentação cresceram 9,5% (10,6% em 2013) e outros serviços prestados às famílias, 7,1% (7,2% em 2013).
Os serviços profissionais, administrativos e complementares apresentaram uma taxa anual de 8,5%, contra 8,1% em 2013, sendo que os serviços técnico-profissionais cresceram 6,5% (4,6% em 2013) e os serviços administrativos e complementares, 9,3% (9,5% em 2013). O segmento de outros serviços acumulou crescimento de 6,8% (5,9% em 2013) e os transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, 6,4% (10,8% em 2013). Dentro do segmento, o transporte terrestre cresceu 4,7% (10,7% em2013), o transporte aquaviário, 11,8% (18,0% em 2013), o transporte aéreo, 8,7% (16,8% em 2013) e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio, 7,8% (8,0% em 2013).
Em 2014, os serviços de informação e comunicação apresentaram a menor taxa de crescimento acumulado (3,4%), pouco menos da metade da taxa registrada em 2013 (6,9%), sendo que o crescimento dos serviços de tecnologia da informação e comunicação - TIC ficou em 2,9% (7,0% em 2013) e os serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias, em 6,3% (6,4% em 2013).
A queda na receita real do setor de serviços é um sinal claro da deterioração da atividade econômica. Na avaliação do sócio e economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo, o resultado sinaliza que o PIB no quarto trimestre de 2014 tende a ser negativo. "A pesquisa é um sinal bastante importante da redução do nível de atividade do setor de serviços. Isso vai afetar a economia como um todo porque o setor responde por cerca de 60% do PIB brasileiro", diz Camargo.
Para o economista, a desaceleração na geração de empregos no setor de serviços, registrada nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) tende a se acentuar. À medida que o setor tem menor crescimento real, a criação de vagas na área será afetada, contribuindo ainda mais para a desaceleração da atividade do setor e da economia como um todo.
Opinião semelhante tem o economista da RC Consultores, Marcel Caparoz. Para ele, a queda de 0,1% em termos reais no volume total de serviços ofertados mostra claramente a deterioração do setor. "O volume de serviços que está sendo ofertado está caindo. E para o crescimento do PIB, o que realmente importa é o a queda no volume", diz Caparoz.
O economista afirma que a tendência para 2015 é que o crescimento no volume de serviços para as famílias zere ou migre para o campo negativo. "(A tendência é essa) porque a renda das famílias está se deteriorando, com a inflação alta e os juros subindo", diz Caparoz. (Com Agência Estado)

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