Setor de seminovos segue desaquecido
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
A restrição de crédito para a compra de veículos seminovos e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a aquisição de automóveis zero quilômetro até o final deste mês desaqueceram o mercado de usados e fizeram com que 4,5 mil lojas deste segmento fechassem no País só este ano, de acordo com números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O levantamento da entidade aponta ainda que as instituições financeiras aprovaram apenas 30% dos financiamentos para este setor nos últimos sete meses, enquanto no de novos a marca foi de 55%.
No Paraná, tanto a Associação de Revendedores de Veículos Automotores no Estado (Assovepar) quanto os comerciantes entrevistados pela reportagem da FOLHA concordam que a restrição de crédito desacelerou o mercado. Alguns deles acreditam que a situação voltou a melhorar a partir do mês passado, enquanto outros ressaltam que este é o pior ano desde que ingressaram no negócio.
Para Gilberto Deggerone, vice-presidente da Assovepar, que possui por volta de cem associados na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), desde janeiro houve ''realmente uma mudança estrutural no negócio''. Ele confirma que muitas lojas do setor fecharam as portas, mas ressalta que a grande maioria eram comerciantes que não tinham capital suficiente para permanecer no setor ou não estavam tão preparados para lidar com este momento de turbulências. ''Depois da dificuldade com a liberação do crédito, a redução do IPI veio para piorar a situação daqueles que já não estavam bem.''
Deggeroni salienta ainda que este é um momento dos comerciantes repensarem as margens que estão trabalhando nas vendas, optando por percentuais mais apertados. ''Em alguns casos, a margem líquida chegou a 2,5% este ano. Como os bancos estão com avaliações rigorosas, as negociações agora estão sendo mais racionais por parte dos vendedores. De qualquer forma, acredito que a movimentação nas lojas já está voltando ao normal.''
Por outro lado, as opiniões dos lojistas são divergentes para este momento das vendas. Para o empresário Mauro Vecchiatti, proprietário da Classic Multimarcas em Londrina, a comercialização dos seminovos sofreu um decréscimo mais precisamente a partir de agosto do ano passado, ''em consequência da restrição de crédito ocasionada pelos bancos.''
Porém, a partir de janeiro deste ano, o comerciante comenta que as vendas voltaram a crescer. No que diz respeito à redução do IPI dos veículos novos, Vecchiatti relata que aqueles lojistas que realinharam os preços agora passam por um momento de crescimento. ''Diminuímos os valores dos automóveis em média de 15% para voltarmos a ser competitivos. Os resultados nos meses de junho e agosto são mais animadores'', avalia ele.
Já para o empresário Leonardo Manella, proprietário da Manella Veículos, este é o pior ano em duas décadas que ele está no mercado. Pelas contas do proprietário, as vendas cairam entre 40% e 50%. ''A comercialização caiu na mesma proporção em que aconteceram as restrições de crédito. Para vendermos agora, o consumidor precisa pelo menos dar 20% de entrada.''



