Setor de papel espera ano melhor
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sexta-feira, 03 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo Os empresários do setor de papel e celulose esperam um 2003 melhor do que foi 2002, com aumentos de exportações, de capacidade instalada e de lucratividade, mas estão de olho nos índices de inflação, na cotação do dólar e na condução, por parte do novo governo, das reformas da previdência, tributária e trabalhista. ''A economia mundial deve ir um pouco melhor em 2003, com tendência de reaquecimento da economia norte-americana, que puxa a européia, a asiática e também a do Brasil. Mantidos os preços internacionais do setor, o endividamento das empresas vai diminuir e pode haver lucro neste ano'', afirma Osmar Elias Zogbi, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).
Ele cobra do governo de Luiz Inácio Lula da Silva a realização, urgente, da reforma da previdência: ''É o maior rombo do governo''. ''Depois, tem que fazer a reforma tributária. E em partes, porque se quiserem fazer tudo de uma vez, não farão nada'', diz. Na reforma tributária, Zogbi espera a desoneração dos investimentos . ''Hoje, paga-se 11% de impostos não-recuperáveis ao se investir em produção. O País perde em competitividade'', analisa. Para ele, colocar isso na reforma tributária é um papel do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de Luiz Fernando Furlan. ''É um homem da indústria, que sabe do que precisamos e tem uma grande experiência em comércio exterior'', avalia.
Zogbi afirma que, se houver a desoneração, em 10 anos o plano de investimentos do setor será executado com o crescimento de 6% da produção ao ano. ''A meta é dobrar a exportação em 10 anos'', antecipa. A vendas exeternas deverão chegar, então, a US$ 6 bilhões anuais, ante os US$ 3 bilhões de 2002. Zogbi acredita em uma inflação de 8% a 9% neste ano e um dólar em R$ 3,50.
''Para exportar, menos do que isso é ruim. Além disso, dólar a R$ 3,00 começa a incentivar a importação, o que refletirá negativamente na balança comercial'', afirma. O presidente da Bracelpa prevê quatro anos difíceis para o governo Lula: ''O Brasil é um País complexo, de muitas desigualdades. Mas temos que ter confiança, temos que fazer dar certo''.


