Para o chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a expansão das vendas do varejo ''só será definitiva'' quando houver uma reação mais forte dos bens de consumo não-duráveis (alimentos, vestuário, farmacêuticos). Ele fez as contas do desempenho do varejo em junho ante mês anterior e concluiu que os não-duráveis estão ''estagnados''.
Segundo os dados da CNC, as vendas do varejo em junho subiram 1,6% ante maio. No caso dos duráveis (móveis e eletrodomésticos), a expansão foi de 5,2% nessa base de comparação, enquanto os não-duráveis tiveram aumento de apenas 0,2%. Segundo ele, para que os não-duráveis possam apresentar uma reação mais vigorosa nas vendas, será necessário aumento da renda disponível do consumidor.
Ele avalia que o endividamento com a compra dos bens duráveis em prestações e os reajustes de preços administrados, como gasolina, telefonia e eletricidade, estão reduzindo a renda disponível para o consumo de não-duráveis. Apesar da estagnação dos não-duráveis, o economista acredita que a trajetória de crescimento do varejo em geral neste ano é irreversível e o aumento acumulado das vendas em 2004 será de 7% ante o ano passado.
''O quadro que está aí não deve se modificar muito até o fim do ano. Não acredito em agravamento do problema da renda, do emprego ou dos juros, então acho que até o final deste ano estão garantidos resultados positivos para o varejo'', disse. (AE)

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