Curitiba - O Banco do Brasil vai reduzir a taxa mínima de juros para financiamento de motos de 1,34% ao mês para 1,28% ao mês. Os novos valores entram em vigor a partir de hoje. Essa taxa é válida para motos a partir de 150 cilindradas novas ou fabricadas no ano. O prazo é até 36 meses para motos novas e até 24 meses para usadas.
Também foi lançada a opção de financiamento de motos com potência entre 150 e 249 cilindradas com a mesma taxa de juros. De acordo com o banco, o objetivo é ampliar a oferta do produto, atendendo às diferentes necessidades dos clientes e à crescente demanda pela linha de crédito.
De acordo com a instituição, a redução faz parte do programa Bom Pra Todos, lançado pelo BB em abril deste ano. O programa já promoveu reduções expressivas nas taxas de juros de diversas linhas de crédito e contribuiu para o crescimento de 20,7% da carteira de crédito pessoa física e de 25,8% da carteira de micro e pequenas empresas no primeiro semestre de 2012, em comparação com igual período do ano passado. O ajuste da taxa de juros de motos acompanha ainda as alterações nas regras para liberação de depósitos compulsórios, anunciadas pelo Banco Central em setembro.
O presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, disse que já vinha pleiteando isso junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal há algum tempo. Segundo ele, o importante é que a redução de juros veio e vai reduzir um pouco o custo para os bancos, que devem reduzir a cobrança de juros e o valor da entrada para motos.
''O benefício vai ajudar a recuperar o setor de motos, mas não vai tirá-lo do vermelho neste ano. Vínhamos com uma queda de mais de 20% em relação ao mesmo período do ano passado e vai ser difícil evitar o crescimento negativo'', avaliou.
Os lojistas entrevistados pela FOLHA ainda têm dúvidas sobre o resultado que a redução de juros vai provocar nas vendas. O gerente comercial da Motonda de Curitiba, André Scarante, disse que os bancos públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa, têm apresentado redução de taxas, mas com isso crescem os pré-requisitos para liberar os financiamentos. ''Quanto menor a taxa, menor o risco que o banco quer correr'', declarou. Com isso, ele acredita que ''ainda fica difícil de o dinheiro chegar na mão do consumidor''. De acordo com ele, as taxas são chamativas, mas fica mais burocrático. Segundo Scarante, as financeiras têm alegado fatores como inadimplência e comprometimento da renda para não conceder crédito a alguns clientes.
Ele acredita que a redução anunciada pelo BB pode puxar as taxas dos bancos privados para baixo em função da concorrência. A loja disponibiliza motos de 150 cilindradas com valores de R$ 7 mil a R$ 9,6 mil. Scarante acredita que ocorra um crescimento nas vendas entre outubro e o final do ano com a entrada do 13º salário na economia e a chegada do verão.
O gerente da Vianna Motos Kasinski, Alex Roberto de Lima, acredita que os juros menores podem alavancar as vendas. Segundo ele, de janeiro até agora as vendas ficaram estáveis, mas a expectativa é de melhora para o segundo semestre. Ele também acredita que a redução de juros do BB vai forçar a concorrência em relação a outros bancos.
O motoboy Rafael Murilo Duarte, 25 anos, considerou positiva a redução dos juros, mas se não houver muita burocracia para conseguir o financiamento. Ele trabalha há cinco anos nesta profissão e já está na segunda moto. ''Geralmente escolho financiamentos de 36 meses'', contou. (Colaborou Fábio Galiotto)

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