Rio de Janeiro - Enquanto o varejo geral aumenta as vendas sob impacto positivo do crédito, o segmento de materiais de construção apresenta sucessivos recuos por causa da falta de financiamentos específicos para o consumidor. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor acumulou uma queda de 5% nas vendas no primeiro semestre deste ano, na direção contrária a do varejo em geral, que cresceu 4,6% no período. As reduções nas vendas desses produtos ocorrem há cinco meses consecutivos.
Para o recém-criado Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne as maiores redes varejistas do País, os recuos consecutivos nesse segmento ''não teriam passado despercebido em qualquer outra economia onde as políticas públicas têm maior proximidade com a economia real e medidas compensatórias já estariam sendo formuladas''.
Jorge Gonçalves, diretor-geral da rede Casa & Construção, avalia que as vendas do segmento no primeiro semestre foram prejudicadas pela falta de uma reação mais forte na renda, já que as despesas dos consumidores ficaram comprometidas com tarifas e pagamento de dívidas feitas no final do ano passado.
Ele sublinhou que a compra de materiais de construção exige disponibilidade de crédito específico para o setor, que está represado até o momento. ''Existem os recursos, mas o consumidor não consegue ter acesso e o varejo exige agilidade nos financiamentos'', disse. Gonçalves explica que o crédito para material de construção ''é bem específico, dirigido e tem potencial grande, mas ainda não foi organizado, desenvolvido''. Ele espera que no segundo semestre a política habitacional do governo seja efetivada, com ênfase no crédito, e o setor possa se recuperar da derrocada do primeiro semestre.
Na comparação com iguais meses do ano passado, o segmento de materiais de construção apresentou crescimento em janeiro (1,06%), estabilidade em fevereiro (0,03%) e despencou as vendas em 10,25% em março, apresentando resultados negativos a partir daí até junho (-5,5%), segundo os últimos dados divulgados.
No documento do IDV que alerta para as dificuldades desse segmento do varejo, os técnicos destacam que ''a importância deste segmento reside no fato de que dele depende o dinamismo de uma cadeia produtiva muito importante na geração de emprego e renda no Brasil. Se as vendas deste segmento não caminham bem, cedo ou tarde isto levará à redução de encomendas à indústria de insumos e materiais para a construção, que, por seu turno, reduzirá a produção, podendo também diminuir o emprego se a retração de vendas persistir''.
A solução, para o IDV, além de providências mais gerais como a redução da taxa de juros, são ''medidas de ordem microeconômica'' mais eficazes para impulsionar a construção habitacional, como a desoneração tributária e a ''execução de planos mais efetivos'' de financiamento do consumidor de bens e serviços para a construção.

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