O comércio de produtos de acabamento para imóveis estão sendo responsáveis por manter as projeções das vendas do setor de materiais da construção civil no azul até o final deste ano. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulgados ontem mostram que a comercialização ficou praticamente estável em julho frente ao mesmo período de 2011 (0,3%), além de expansão de 3,9% nos últimos 12 meses. Até dezembro, a expectativa da entidade é fechar com crescimento de 3,4%, valor menor do que o divulgado na última projeção do primeiro semestre, de 4,5%.
Dos três mercados que impulsinam o setor - varejo (55% do mercado total), infraestrutura (20%) e imobiliário (25%) - o último deles, através dos seus empreendimentos, acaba auxiliando fortemente com a compra de materiais de acabamento, principalmente para apartamentos. No varejo, as vendas destes produtos também são expressivas e tendem a melhorar a partir do segundo semestre.
Para o presidente da Abramat, Walter Cover, a dificuldade do consumidor em captar crédito é ponto chave para a estagnação do setor. Já em relação ao mercado de infraestrutura, Cover salienta que está bem aquém do ano passado, principalmente devido a problemas com a liberação de licenças ambientais para novos empreendimentos. ''A área de transportes também teve uma queda importante impactando em nosso segmento, algo em torno de 40%.''
Já o segmento imobiliário continua auxiliando para que os números de 2012 permaneçam positivos. Apesar da dimuição dos lançamentos de novos empreendimentos - que pode afetar o mercado nos dois próximos anos - o representante da Abramat aponta o setor como o principal responsável pelo provável crescimento de 3,4% neste ano. ''Vamos avaliar as vendas de agosto, pois se elas caírem, teremos que refazer esta projeção'', decreta ele.
Cover relembrou uma reunião recente em que esteve com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, pedindo algumas medidas que podem ser importantes para o setor neste momento. Entre elas estão a isenção (e prorrogação) por completo do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para mais 50 itens, desoneração da folha de pagamento, além de facilitar ao consumidor final a obtenção de crédito. ''O prazo de oito anos que a Caixa está oferecendo através do Construcard é muito bom, mas é preciso dar acesso a mais famílias, e não apenas para aquelas que possuem conta corrente na instituição financeira.''

Imagem ilustrativa da imagem Setor de materiais de construção prevê crescimento de 3,4%
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